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A jornada literária de Chris Noguelcant

"Se alguém lhe disser que você não é capaz, não ouça!"

Denis Christian, Biólogo, escritor nordestino e ativista LGBTQIA+. Nasceu em 30 de Abril de 1992, cresceu em Carinhanha, no interior da Bahia. Usa Noguelcant como uma homenagem aos seus avós maternos e paternos, representados com fragmentos de seus sobrenomes que formam o nome.

De origem humilde, sempre buscou leituras de carácter ficcional, desde fantasias a suspenses. A partir disso começou se envolver com pequenas escritas, que com os anos começou a expor em um blog, o qual chamou de Diamante negro. Saiu de casa com 17 anos, formou-se anos depois em Ciências Biológicas no estado de Minas Gerais, e voltou para a Bahia onde escreveu os primeiros rascunhos do atual projeto a partir de um sonho.

Morou em Goiânia, onde durante anos se dedicou nas horas vagas à escrita de seus livros. Hoje, com 29 anos, reside em sua terra natal como escritor em tempo integral. Publica o livro, "As crônicas das sete almas", em 2021 como sua estreia na carreira literária, com o desejo de emitir de volta ao universo a mesma vibração que o levou a escrever.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Denis, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Com que idade você começou a escrever, e quem mais te apoiou no início de sua carreira como escritor?

Chris Noguelcant - Desde criança eu amava ler, ambos meus pais eram professores, mas meu gosto por devorar páginas foi algo meu, porém tudo que eu tinha para ler eram HQ’s e livros didáticos dos meus pais. Meu primeiro livro de ficção foi aos dez anos, por meio de uma tia com quem fui morar em outra cidade e assim eu comecei a devorar os livros dela um a um. Assim como os da biblioteca do lugar, comecei a rabiscar coisas que não mostrava a ninguém até ir para um colégio que entrei como bolsista e virar amigo do diretor que era escritor, pessoa que me deu um enorme incentivo; consequentemente essa mesma tia, quando soube do meu gosto pela escrita. Ele fez um projeto na sala envolvendo a escrita de um livro, mas quem realmente tocou o projeto fomos nós dois... Com o tempo, eu passei a escrever narrativas soltas no ensino médio em outro colégio, mas infelizmente tempos depois esse diretor faleceu e assim eu larguei a escrita ficcional de lado por anos até retomar depois já na faculdade.



Palavra & Verso - Quais são suas principais referências para escrever? Cite alguns dos seus autores favoritos.

Chris Noguelcant - A forma que o Tolkien e o George R. R. Martin escrevem e constroem seus universos com detalhes sempre foram minhas principais referências, mas recentemente eu conheci uma autora que eu encontrei semelhanças até mesmo nas técnicas de escrita com as minhas e tomei ela como outra referência, seu nome é V. E. Schwab.


Palavra & Verso - Como é o seu processo de criação? Você escreve todos os dias?

Chris Noguelcant - Meu processo é contínuo, mas em proporções diferentes pois mesmo que todo dia eu consiga pensar em algo sobre meus projetos, eu não consigo escrever diretamente a história todos os dias, somente mexo em detalhes da construção do universo para sempre deixar mais consistente e atrelar tudo. Sempre atrelado a música e sonhos, que desde que comecei a escrever sempre me ocorrem, dando ideias sequenciais de algo que já estou escrevendo, ou ideias novas que salvo e arquivo na nuvem.


Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor?

Chris Noguelcant - Acho que a constância em meio à rotina de inúmeros outros compromissos, como o outro trabalho, faculdade, vida pessoal, sempre estão ali permeando as nuances da escrita, às vezes ela até funciona como um escapismo disso tudo, em outras isso tudo não me deixa nem mesmo escrever.


Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para o seu livro Reencarnação, e como surgiu a ideia do título?

Chris Noguelcant - No dia 13 de maio de 2016 eu sonhei com a coisa mais surreal que eu já presenciei, e como num reflexo automático eu levantei e digitei tudo que eu lembrava no computador. No dia seguinte eu ignorei isso e novamente sonhei outra vez, e assim repetiu-se o sonho em outras noites até que eu sentei e fui ler o que estava escrito e comecei a destrinchar o material bruto que eu produzi, e assim surgiu as crônicas das sete almas. Eu literalmente sonhei com a história, mas necessariamente com um acontecimento dela que eu já escrevi sobre no terceiro livro da série. Eu sempre fui muito atraído pela filosofia budistas sobre várias coisas, e não foi diferente quando eu vi ali no meu livro um tema que eu tinha um ponto de vista: a reencarnação. Obviamente o conceito no livro é totalmente ficcional e criado especialmente para a mitologia do Azhurzaverso, entretanto os títulos e termos tiveram uma raiz no budismo. Eu sempre tive uma conexão com a filosofia budista inclusive sobre o ciclo da alma, o que explica o título progressivo dos sete livros: Reencarnação, Aura, Karma, Iluminação, Bardo, Renascimento e Nirvana.



Palavra & Verso - Fale um pouco sobre o livro Reencarnação; como foi configurar o universo e os personagens desta história?

Chris Noguelcant - Para um primeiro livro, foi um desafio inclusive por ter que lidar com arco de sete protagonistas simultaneamente e conectá-los de forma que conseguisse fazer com que eles conseguissem de certa forma influenciar os fatos do arco uns dos outros. Criar o Azhurzaverso foi trabalhoso e levou cerca de quatro anos, e então comecei a escrever o primeiro livro e até hoje ainda insiro vários detalhes nessa construção pois ele continua em expansão, mas é a parte mais gostosa de todo o processo criativo dos meus livros.



Palavra & Verso - Qual você acha que é a importância da música em um livro? Você gosta de ouvir música enquanto escreve?

Chris Noguelcant - Eu sempre usei música para tudo, mas em relação à escrita ela traz uma profundidade em como a cena está sendo construída na mente e passada para o papel. A música sempre me guia como se fosse um pano de fundo da narrativa, e por isso eu tenho uma playlist para cada um dos livros que escrevo, que inclusive tem o QR code no final do livro Reencarnação e pretendo colocar em todos para quem quiser ampliar a experiência.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Chris Noguelcant - Atualmente, eu pretendo continuar com o Azhurzaverso, que fora a série principal com sete livros, já possui até então 6 projetos spin-offs para começarem a ser trabalhados sendo 2 deles já em processo de escrita e um deles foi iniciado com o conto “pingos de chuva” uma distopia fantástica que está na Amazon que se passa em 2100 anos após o fim dos eventos das crônicas e futuramente vai ser transformado também em um livro. E já estou escrevendo o quarto livro das Crônicas das Sete Almas, mas o segundo ainda consegue ter um lugar enorme no meu coração. Porque o primeiro apesar de ser a minha entrada no mundo da literatura, como todo primeiro livro de uma sequência, ele é muito mais introdutório, apesar de acontecer muita coisa importante, então o segundo é mais ação e me deu um prazer a mais escrevê-lo.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Chris Noguelcant - Se alguém lhe disser que você não é capaz, não ouça! E comece você mesmo a gostar do seu tipo de escrita. Você não precisa se encaixar num molde literário. Se você é diferente no modo de abordar a história, faça disso o seu diferencial para ser notado. Ser escritor não é somente sobre literalmente escrever, mas sim desejar contar histórias.



Palavra & Verso - E por último, um bate e volta:

Uma pessoa: Minha mãe

Um livro: Alice no país das maravilhas

Uma música: The Only exception - Paramore

Um gênero: Fantasia

Um filme: As vantagens de ser invisível

Um sonho: Visitar os lugares reais que descrevo nos meus livros

Uma frase: Se você não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve.



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