Dando asas à liberdade com Mayara Nascimento

"Se você acha que seu sonho é utópico, encare a vida, enfrente as turbulências, sofra, sorria, chore, faça tudo o que puder, mas traga o seu sonho para a realidade." — Mayara Nascimento

Mayara Cristina do Nascimento é estudante de licenciatura de Letras e História. Hoje em dia, trabalha como professora da rede pública de ensino. Inspirou-se para iniciar seu primeiro romance ao ler as obras de Julia Quinn.

Morou durante toda sua vida ao sul do Brasil, na região metropolitana de Curitiba. Aos 24 anos, concluiu seu original e passou a buscar um meio de divulgar seu trabalho. Seu livro "Sonhos de liberdade" se tornou a personificação de desejos que se tornam realidade.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Mayara, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Como é a sua rotina de escrita? Você estabelece metas para si mesma?

Mayara Nascimento - Sim, eu possuo metas. Quando começo a escrever uma história, estabeleço uma data limite para ter a primeira versão concluída. Assim, traço um objetivo de escrever diariamente de 2 a 4 mil palavras.

Nesse momento é sempre importante lembrar que objetivos são ótimos para não perdermos o foco, contudo, sempre evito escrever quando não estou no clima, afinal, o desânimo pode influenciar no desenvolvimento do texto, e por consequência refletir de forma negativa para a história do livro.



Palavra & Verso - Você escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento?

Mayara Nascimento - Sim e não, possuo momentos de extrema criatividade e são nesses instantes que procuro colocar todas as ideias, seja em papéis ou notas no computador. Quando isso acontece, escrevo de maneira intuitiva e fluída. Porém, é super importante, independentemente da área que você esteja focando, estudar. Busco evoluir meus conhecimentos para que o resultado final do meu trabalho esteja em sua melhor versão.

Fora que ao iniciar a escrita de um livro eu começo produzindo um “esqueleto” da história, onde coloco todos os acontecimentos importantes que desejo para o enredo, e aos poucos vou costurando esses fatos para concluir a obra.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritora?

Mayara Nascimento - É difícil ser escritora, enfrento bloqueios criativos que acabam atrasando o processo da escrita. E, é claro, também há o trabalho incessante de divulgar a obra para que ela possa se tornar reconhecida. Um passinho de cada vez, às vezes é necessário voltar alguns, mas o foco e o desejo de realizar um sonho continua firme e forte.

Ser escritora é viver em uma montanha russa sem saber qual será o próximo movimento do carrinho. Tem dias que tudo flui de uma forma incrível, consigo escrever a meta diária, tenho tempo para estudar minha escrita, consigo atingir potenciais leitores. Contudo, também existem dias que tudo parece dar errado.



Palavra & Verso - Quem mais te apoiou no começo da sua carreira como escritora?

Mayara Nascimento - Difícil dizer apenas uma pessoa, minha rede de apoio abrange vários seres incríveis e iluminados que me incentivaram de formas diferentes. Meus pais certamente aparecem no topo da lista, com o apoio desde o momento da escrita, procurar pela publicação e é claro, durante a divulgação para as vendas. Tem também meu namorado que acreditou e apoiou cada sonho que tive e que certamente é meu porto de sapiência, sempre que acho que tudo está dando errado ele me mostra uma saída.

Minha leitora beta também tem um papel fundamental para todo esse desenvolvimento, ela é capaz de pontuar melhorias no desenvolvimento da história (e manda áudios gigantescos com suas ponderações).



Palavra & Verso - Existe algum livro de Romance, Fantasia ou qualquer outro gênero que gostaria de ter escrito?

Mayara Nascimento - Sim, tenho diversas ideias para outras histórias, e novos enredos vivem borbulhando na minha cabeça. Normalmente anoto todas as ideias para comparar quais eu posso juntar em um único livro. Comecei em 2009, escrevendo romances contemporâneos, mas não sei se esse gênero se encaixaria com meu estilo atual. Porém, gêneros que eu amo escrever são romances de época e também fantasia.

Escrever gêneros que nos atraem é muito prazeroso e meu gosto varia entra bailes com vestidos longos e armados, e também, magia e seres místicos.



Palavra & Verso - Como surgiu a ideia de escrever “Sonhos de Liberdade”? E como surgiu a ideia para o título do livro?

Mayara Nascimento - Em 2017 conheci os famigerados romances de época, e em um curto período de tempo consumi de forma excessiva esse tipo de literatura. Me encantei profundamente com essa narrativa, porém, quanto mais eu lia, mais eu percebia “falhas” e faltas. E em pouco tempo um questionamento começou a pipocar em minha mente, “Falta representatividade, por que não tem nenhuma protagonista negra?” Assim nasceu Mariana.

Pense em um livro que demorou para “falar” qual seria seu nome, haha. Eu sabia qual seria o desenvolvimento da história, conhecia meus personagens, mas em minha cabeça não aparecia nenhum nome. Até eu chegar à conclusão mais simples, Mariana tinha um sonho, o sonho de ser livre. Depois disso, não foi difícil chegar no nome.

Porém, minha leitora beta me alertou sobre uma outro obra com o nome bem parecido, “Um sonho de liberdade”. Nesse instante passei a considerar um outro nome para a obra, “Julgamento do marquês”, porém, desisti da ideia da mudança do nome, afinal, a história é da Mariana, de como ela sobreviveu sendo uma escrava, as marcas que ficaram na vida dela e as dificuldades que era obrigada a conviver, não sobre o marquês.



Palavra & Verso - Os leitores estão ansiosos para o lançamento de “Entrelaçados pelo destino”; fale um pouco sobre o que podemos esperar do segundo volume da Tríade Beauhar.

Mayara Nascimento - "Entrelaçados pelo Destino" é oficialmente o dono do meu coração. Elizabeth, a protagonista dessa continuação, é tudo aquilo que não deveria ser: extrovertida, carismática, divertida e sem escrúpulos. No início da narrativa vamos descobrir como ficou a casa dos Beauhar após o casamento da Mariana.

Elizabeth, que era muito unida com Mariana, sente essa separação da pior forma, vivendo uma espécie de luto. Lady Amélia e Pedro acabam buscando formas de mudar isso.

O leitor terá várias surpresas, sentirá a tristeza da protagonista, irá ficar com raiva de alguns acontecimentos e se apaixonará perdidamente pelo romance que tem nesse livro.

Atenção, leitor: essa história não é um romance de época comum, e vale a pena ressaltar que alguns momentos dela tratarão de assuntos bem sensíveis.



Palavra & Verso - Como você configurou os personagens da obra? Fale um pouco sobre o processo de criação dos personagens.

Mayara Nascimento - Antes de saber quais seriam todos os pontos da história, eu já conhecia os personagens centrais da trama. Fui desenvolvendo a personalidade e preferência de cada um aos poucos.

Queria apresentar analogias com a história real do Brasil, colocando nomes brasileiros, dessa forma utilizei o nome Beauhar, uma abreviação para Beauharnais, o duque de Santa Cruz que viveu no período de 1810 - 1835. O sobrenome da família foi a primeira coisa que defini no livro, o primeiro personagem que ganhou um nome foi Pedro, seu nome também é uma homenagem a história do Brasil, ao imperador Dom Pedro II.

A irmã do duque dos Beauharnais chamava-se Amélia de Leuchtenberg, e foi dela que peguei o nome para lady Amélia, a matriarca da família Beauhar. Meu objetivo na história era apresentar um romance de época completamente diferente dois quais somos acostumados. Então, eu queria uma mãe bem carinhosa, o que era relativamente difícil de encontrar na época. Mesmo sendo uma Lady, Amélia é capaz de confrontar a sociedade para proteger as pessoas que amam, bem aquelas mães leoas.

Elizabeth também foi um nome fácil de encontrar e foi impossível mudar depois que visualizei a personagem na minha mente. Com Mariana foi bem diferente. Na primeira versão do livro o nome dela era Helena, um nome que amo, mas não tava sentindo essa conexão de nome com o personagem. Troquei então para Marina, mas ao longo da reescrita passei a escrever Mariana, e percebi que esse nome se encaixava de uma forma mais orgânica na história.

Por fim, nesse círculo central, temos o Anthony. Não fazia sentido colocar um nome português para um personagem que era inglês, e pensei em colocar Anthony para homenagear a Julia Quinn, a primeira autora que li em romance de época e que deu o start para eu voltar a escrever.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Mayara Nascimento - Estou dividindo o meu tempo em três projetos de escrita diferentes. O primeiro deles é a Tríade Beauhar, no momento estou no meio da escrita do terceiro volume, e esse também está demorando para eu encontrar um nome que se encaixe na história e o enredo. E penso seriamente em escrever um livro extra de contos para contar a história de alguns personagens, como a Joana, Maria, Maná, entre outros.

O segundo projeto é a minha trilogia de fantasia, no momento estou escrevendo o segundo livro. O primeiro chama-se “A Ruína do Império”, a história de Helena (Haha viu? Tirei o nome da protagonista de Sonhos de Liberdade para colocar aqui). Uma fantasia medieval, que narra a história de uma princesa que vive em um reino super patriarca, que por razões de vingança acaba sendo sequestrada por um caçador que foi pago para matá-la, contudo, o caçador não sabia que Helena era protegida por um espírito que é capaz de sugar a alma das pessoas.

Por fim, o último projeto é uma outra série de romance de época. São quatro livros previstos, porém no momento apenas o primeiro, “Em Troca de Seus Beijos”, está escrito. Essa série ainda não possui um nome.

Como comentei anteriormente, comecei a escrever em 2009, em uma comunidade do Orkut, foi o local onde tive o primeiro contato autor-escritor e também foi quando me apaixonei pelo mundo da escrita.

Nesse período eu escrevi romances contemporâneos e, é claro, uma série de fantasia. Infelizmente todas essas histórias foram perdidas quando o Orkut acabou.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Mayara Nascimento - Existem diferentes níveis de sonhos, aqueles que sabemos que iremos alcançar, aqueles que esperamos atingir e também os que julgamos ser utópicos.

Por um grande período achei que ter um livro publicado fazia parte dos sonhos utópicos, mas me esforcei ao máximo para tornar isso real. Não é fácil conseguir realizar um sonho, não é fácil seguir nesse caminho e, definitivamente, não é fácil ser escritora.

Leve em consideração que você poderá receber inúmeros “nãos”, outras vezes nem sequer haverão respostas, mas não desista. Nunca desista. O sentimento que domina o nosso corpo quando atingimos esse sonho é indescritível e nos faz ter certeza de que passaríamos por todas as tormentas novamente para chegarmos a esse momento outra vez.

Se você acha que seu sonho é utópico, encare a vida, enfrente as turbulências, sofra, sorria, chore, faça tudo o que puder, mas traga o seu sonho para a realidade.



Palavra & Verso - E por último, um bate e volta:

Uma pessoa: Julia Quinn

Um livro: Entrelaçados pelo Destino, haha

Uma música: Dancing Queen

Um gênero: Romance

Um filme: Definitivamente, O Rei Leão



#entrevista #literatura #nacional

55 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo