O horror através da escrita de J. L. Silva

"Ser escritor não é fácil, existem muitas barreiras e desafios nesse caminho, mas se é isso que você quer, não desista e siga seus sonhos." — J. L. Silva

J. L. Silva, pseudônimo de Lenon Silva Alves, nasceu em 6 de março de 1990. É natural de São Paulo, capital, porém, reside atualmente na cidade de Sorocaba, interior de SP. É professor, jornalista, roteirista, tradutor, dramaturgo e produtor cultural, além de ministrar oficinas e palestras sobre análise e criação literária.

É autor dos livros Velhos Suicidas (Penalux, 2016), Idiotas Felizes (Penalux, 2018), Versos-Estrelas (Penalux, 2019), dentre muitos outros. Com nossa editora, publicou recentemente a coletânea de contos de terror A Bruxa de Itaquera, que em breve contará com continuações, compondo assim uma trilogia.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de J. L. Silva, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Você sempre quis ser escritor? Quem mais te apoiou no começo da sua carreira?

J. L. Silva - Decidi ser escritor aos nove anos de idade, justamente porque ganhei da minha avó paterna uma edição do livro “Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcellos. Após a leitura da obra, identifiquei-me muito com a personagem principal, o Zezé, por isso, eu passei a dizer para todo mundo que seria poeta e escritor e, a partir daí, com o próprio incentivo da minha avó, comecei a escrever minhas primeiras histórias infantis e também a criar minhas primeiras rimas, nada muito excepcional. Contudo, esse processo de sempre escrever e ler cada vez mais livros foi me ajudando a melhor e, pouco a pouco, a compreender melhor os gêneros literários e todas as regrinhas básicas da criação de histórias e poemas. Ganhei meu primeiro concurso literário aos 13 anos de idade e isso aconteceu graças a esse processo contínuo de sempre estar escrevendo e lendo, por mais que, como eu disse, no começo não saísse nada assim excecional. Após esse primeiro concurso literário de poema que venci aos 13 anos, fiquei um tempo sem participar de concursos. Isso porque eu acabei mudando de casa, pois na época morava com a minha avó e tive que voltar a morar com meus pais, então, consequentemente, afastei-me da convivência que tinha com ela, minha maior incentivadora. Lembro que essa relação com minha avó foi muito importante para a minha formação de escritor e como pessoa mesmo. Era quase um segredo nosso, porque eu não falava para todo mundo que queria ser escritor por causa de uma situação na infância, onde durante uma reunião da família, eu disse que queria ser escritor e acabaram rindo de mim, então, a partir daquele dia eu acabei ficando com vergonha e não falava mais isso, guardava essa informação somente para mim, mas continuava sempre a ler e a escrever bastante.



Palavra & Verso - Como foi sua trajetória literária? Fale um pouco de “A Bruxa de Itaquera” e outras obras de sua autoria.

J. L. Silva - Voltei a participar novamente de concursos literários quando ingressei no curso de Letras, em 2011, aos 21 anos de idade. Sendo assim, tive esse hiato entre os 13 anos até os 21 para voltar a assumir a minha vontade de ser um escritor. Acabei perdendo essa vergonha e bloqueio que tinha e decidi investir mais uma vez na literatura. A partir daí, renderam bons frutos, acabei participando de diversos concursos literários nacionais e internacionais, ganhei bastante deles, bem como participei de diversas antologias. Então comecei a reparar que realmente almejava a carreira de escritor, passando a trabalhar na área para ir aprendendo cada vez mais. Nesse tempo, eu trabalhei como jornalista, redator, revisor, diagramador, assinei colunas em jornais e outros sites, enfim, vivenciei diversas coisas na área da escrita e criei uma empresa nesse ramo, a qual trabalho até hoje. Depois dessas experiências, decidi que era hora de publicar o meu primeiro livro, a coletânea de poemas intitulada “Velhos Suicidas”, lançada em 2016. Depois disso, não parei mais e em todo ano lancei, pelo menos, uma obra nova; em alguns anos, lancei até dois livros de uma vez. Dentre os meus livros estão: “Lira dos Vinte e Poucos Anos” (2017), “Idiotas Felizes” (2018), “Versos-Estrelas” (2019), dentre outros. No início foquei bastante no gênero poético, pois não me sentia preparado ainda para lançar um livro de contos ou um romance. Depois dessa experiência com os poemas, então, finalmente, decidi lançar meu primeiro livro de contos, intitulado “A Bruxa de Itaquera”, que trata-se de um livro muito importante para mim, pois traduz tudo aquilo o que me inspirou a se tornar um escritor, pois tive uma infância muita mágica, regada às histórias da minha avó e à sua forma única de enxergar o mundo.



Palavra & Verso - Quais são os seus escritores favoritos, bem como os autores que influenciam a sua escrita? Cite alguns livros que você indicaria para nossos leitores.

J. L. Silva - Essa parte é difícil responder; melhor, difícil não, digamos que é complicada (risos). Eu divido minha inspiração literária em três partes: poesia, literatura filosófica e literatura de entretenimento. Isso porque eu trabalho com essas três vertentes, por isso, tenho meus autores favoritos em cada uma delas. Vou explicar: eu gosto muito de escrever poemas, portanto, eu tenho meus autores favoritos que me inspiram bastante, como, por exemplo, meu poeta favorito, Manuel Bandeira, mas também gosto muito de Carlos Drummond de Andrade e da Cecília Meireles. Na literatura que eu chamo de filosófica, é aquela um pouco mais realista, uma investigação ou observação da sociedade colocada em meus textos, onde posso fazer experimentações, escrever assuntos muito mais complexos, discutir e refletir acerca da condição humana, debater assuntos universais, dentre outras coisas; sendo assim, não é à toa quando eu digo que meus dois autores favoritos, sem dúvidas, são Machado de Assis e Clarice Lispector. Pode até parecer clichê, mas é a verdade, tenho praticamente a obra completa desses dois grandes escritores nacionais e leio e releio os trabalhos deles sempre que possível, pois ambos são escritores sensacionais que sempre me inspiram bastante. Por último, e não menos importante, a literatura que chamo de entretenimento são histórias que quero contar pelo simples prazer de narrá-las, pelo prazer de criar histórias com enredos atrativos e envolventes, com mistérios, suspense e plot twists loucos; sendo assim, não me apego tanto aos mecanismos que regem a criação literária erudita e as escrevo da forma que eu acho mais adequada para cada narrativa, então, é aqui que brinco com as narrativas de terror, horror e suspense, que estão entre os meus gêneros favoritos, as histórias fantásticas, o realismo fantástico etc. Grandes inspirações nessa vertente são H. P. Lovecraft, Stephen King, Joe Hill, Agatha Christie e Edgar Allan Poe. Nesse caso, vou indicar três livros essenciais para mim, um para cada uma dessas minhas vertentes que eu citei, sendo eles: “Estrela da Vida Inteira”, de Manuel Bandeira; “Laços de Família”, de Clarice Lispector e “Fantasmas do Século XX”, de Joe Hill. Vou ainda citar mais uma obra extra, que li no ano passado em meio a pandemia e gostei bastante, principalmente por ser um autor nacional contemporâneo; o livro em questão é “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior.


Palavra & Verso - Em relação a escrever, como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional? Existe algum ideal de escrita que você persiga?

J. L. Silva - Bom, primeiro de tudo, acredito que em tudo nessa vida a gente precisa de dedicação e força de vontade, então, levo à risca o método que desenvolvi com os anos a duras penas. Atualmente, além e trabalhar na área de produção textual e revisão, o que já me faz ler e escrever de segunda a sexta-feira, eu não deixo de ler meus livros de literatura e a escrever todos os dias, nem que seja vinte minutos para cada uma dessas atividades no dia. Foi difícil me acostumar com isso, era muito desregrado, mas me ajudou bastante eu criar essa rotina. Mesmo que eu jogue fora o que eu escreva naquele dia, eu treino, seja fazendo um poema, um conto, uma crônica ou escrevendo uma página de algum romance que eu esteja fazendo. Leitura também é importante, então, sempre estou lendo alguma obra, mesclo entre autores clássicos nacionais, autores contemporâneos nacionais também, pois gosto de estar por dentro do que está sendo produzido atualmente aqui no Brasil. Isso de segunda à sexta, pois aos fins de semana eu leio algum livro de poema, que é mais rápido, ou leio algum livro de terror ou de algum autor estrangeiro. Enfim, tento alimentar minha inspiração nessas três modalidades que gosto de escrever. Foco bastante em livros nacionais porque eu acredito que a gente consegue aprender mais e absorver mais um livro escrito em nossa língua materna, porque quando pegamos um livro estrangeiro, o processo de tradução modifica como aquela obra foi escrita originalmente, portanto, eu acredito que não exista melhor maneira de se conhecer um autor do que lê-lo em sua língua materna, por isso, valorizo bastante as leituras e os autores nacionais, porque consigo compreendê-los a fundo através de suas obras. Agora, eu não persigo nenhum ideal de escrita não, pelo menos não mais; é natural que a gente comece escrevendo se inspirando em escritores que a gente admira, mas chega uma hora em que o autor precisa encontrar a sua própria voz, o seu próprio estilo, então, acho que me prendo mais isso atualmente, encontrar e aprimorar essa minha própria voz, ou seja, a minha própria escrita.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para começar a escrita do livro “A Bruxa de Itaquera”?

J. L. Silva - Comecei a escrever a Bruxa de Itaquera aos 16 anos, em um antigo caderno de dez matérias da escola, então, os primeiros esboços dos contos presentes na obra foram escritos manualmente. Quando ingressei no curso de Letras, decidi digitá-los e a revisá-los, aprimorando mais ainda a narrativa de cada um dos contos. Queria que esse livro fosse uma espécie de novela desmontável, onde os contos presentes tivessem seus enredos próprios, com começo, meio e fim, mas ao mesmo tempo, ao decorrer da leitura da obra, esses contos contasse outra história paralela para no final gerar uma narrativa extra oculta na obra, ou seja, eles são contos separados, porém, ao decorrer da leitura, você passa a conhecer mais sobre a história das personagens e do universo que o livro apresenta. Minha maior inspiração para escrever esse livro, sem dúvida, é a minha própria avó, que me incentivou a escrever desde pequeno.



Palavra & Verso - Nos contos de “A Bruxa de Itaquera”, conhecemos muitos lugares e personagens bastante verossímeis e aterrorizantes. Esses aspectos da obra são inspirados em pessoas e situações reais, ou tendem mais para a ficção?

J. L. Silva - Como eu disse na resposta anterior, a minha avó é a maior inspiração desse livro, portanto, ela é a personagem principal da obra. A personagem da Dona Maria da Conceição é justamente verdadeira, porque é a minha avó, inclusive é o mesmo nome dela, nome verdadeiro, foi o único que quis manter como verdadeiro, o resto eu mudei de todos; sendo assim, de fato, todos os personagens e situação presentes na obra são inspiradas em fatos reais, inclusive o neto, que no caso sou eu mesmo, por isso o livro traz bastante verossimelhança. No começo, quando ia publicar a obra, não quis mencionar isso incialmente, justamente porque religiões de matrizes africanas, espiritismo e ocultismos são bem discriminadas, contudo, depois pensei bem e hoje não tenho mais problemas em dizer que essa é a minha história, minha e da minha avó, porque negá-la seria o mesmo que negar a minha própria história de vida. Contudo, é claro, existe uma liberdade criativa em todos os contos, pois uso elementos da narrativa literária para florear um conto ou outro, torná-lo mais atraente, porém, todos os enredos dos contos realmente aconteceram. Agora, eu era uma criança de oito para nove anos de idade, o que realmente foi real ou não em tudo o que vivi, eu não sei, porque a nossa imaginação sempre nos prega peças, principalmente quando se é uma criança, mas uma coisa eu tenho certeza: é que existem sim coisas que não sei explicar e que não duvido justamente porque tive essas experiências. E olha que sou uma pessoa cética, se não fosse tudo isso o que presenciei, talvez hoje eu fosse ateu, mas não sou justamente porque presenciei manifestações do mal e, na minha visão, se existe o mal, então também existe o bem, então, acredito sim em Deus ou qualquer outro ser ou seres superiores que estão a zelar por nós, bem como existe também um mal à nossa espreita.



Palavra & Verso - A personagem Dona Maria da Conceição, mesmo sendo sombria, é carismática e desperta a empatia e interesse nos leitores; como foi o processo de criar a personagem?

J. L. Silva - Na verdade, existiu pouco processo criativo para desenvolver essas histórias, justamente porque a maioria delas estavam prontas, todas aconteceram, às vezes não igualzinho ao que está narrado, mas aconteceram. Portanto, esse livro é uma obra que já estava pronta dentro de mim. Não precisei acentuar nada e nem diminuir nada, essa personagem da Maria, é exatamente como a minga avó era. Da mesma forma que às vezes a temia, eu também a amava demais e me sentia a pessoa mais segura do mundo perto dela durante a minha infância. Minha avô veia a falecer um 2015, uma passagem tranquila, faleceu dormindo. Pouco tempo antes de isso acontecer, nos vimos e ela praticamente se despediu de mim e no fundo eu sabia que aquela era a última vez que a veria também, não sei explicar. Portanto, publicar essa obra, além de resgatar a minha história com ela e perpetuá-la, também me ajudou muito no meu processo de luto, porque minha avó era uma pessoa muito importante na minha vida e tenho certeza que ela sabia disso, mas acredito que muitas outras pessoas da minha própria família não sabiam dessa nossa história de cumplicidade e afeto tão grande que era praticamente só nossa, como eu disse, como se fosse o nosso segredo, por isso, esse livro serviu também para que eu pudesse contar a todos o quão especial ela tinha sido na minha formação como escritor e, acima de tudo, como pessoa, como ser humano mesmo. Criar essa personagem então foi a coisa mais gostosa do mundo, como se eu tivesse dado vida para minha avó novamente. Sei lá, é meio que inexplicável isso, mas foi como se eu sentisse que ela estava comigo durante todo o processo de escrita dessa obra, sussurrando em eu ouvido detalhes de algumas histórias que até mesmo eu tinha esquecido. Enfim, toda a essência da personagem é verdadeira, pois minha avó era realmente essa pessoa afetuosa e ao mesmo tempo severa, sempre convicta em suas crenças e em seu propósito de vida.



Palavra & Verso - Qual é o seu conto favorito de “A Bruxa de Itaquera”, e por qual motivo?

J. L. Silva - Muito difícil essa pergunta, porque a obra inteira me agrada bastante, mas, se tivesse que escolher um conto que me marcou muito, pois trata-se de uma passagem muito forte e significativa para mim, seria o conto que dá nome ao livro “A Bruxa de Itaquera”, pois ele carrega algumas das histórias mais marcantes da minha infância. Nesse conto eu resgato um texto que escrevi quando tinha nove anos de idade, como também falo da situação que passei com a minha família sobre dizer que queria ser escritor e todos rirem de mim, bem como, também mostra a relação conturbada que tive na infância com alguns dos meus familiares e, acima de tudo, a confissão de uma culpa muito grande que eu tinha naquela época, o que me emociona muito. Esse conto necessariamente não possui tantos elementos de terror, mas é muito importante para o livro como um todo, pois conta muito sobre todo o contexto em que vivíamos naquela época. Acho importante também mencionar que, apesar de ser um livro de contos de terror, a obra vai muito além disso. Eu acredito em dualidade, ou seja, as duas faces de tudo; para mim, tirando algumas raras exceções, as pessoas não se dividem em boas ou más, mas sim numa mistura de ambas as coisas, ou seja, eu enxergo o mundo em tons de cinza. Todo mundo pode ter atitudes boas e ruins, é fato. Por isso, eu tento trazer isso para as personagens da minha obra e, também, para a própria história, ou seja, você vai dar risada em alguns trechos, vai ficar aflito, pode chorar, pode ficar com raiva e, é claro, também ficar com medo... A proposta sempre foi mexer com todos os sentimentos das pessoas, justamente porque a vida é isso: uma mistura de sentimentos.



Palavra & Verso - “A Bruxa de Itaquera” possuirá uma continuação; o que os leitores podem esperar para o próximo livro?

J. L. Silva - Sim, por enquanto, essa obra é uma trilogia, ou seja, serão três livros de contos: o primeiro, “A Bruxa de Itaquera”; o segundo, “Outras Histórias da Bruxa de Itaquera”, que está passando por revisão e adequações no momento e logo mais será lançado; e o terceiro “Últimas histórias da Bruxa de Itaquera”, que também já tenho o esboço das histórias. Contudo, existem mais duas histórias muito boas que não as coloquei nessa trilogia porque elas possuem potencial para serem narrativas mais longas, por isso, pode ser que saia mais dois livros no futuro dessa série, que poderão ser novelas ou até mesmo romances, ainda não sei. Sobre o próximo livro, “Outras Histórias da Bruxa de Itaquera”, o que eu posso dizer é que ele será maior, contando com mais contos e também posso garantir que as histórias são bem mais pesadas, porque no primeiro livro quis colocar os acontecimentos mais leves, até mesmo para contextualizar o leitor com todo o universo da obra, então, com isso feito, o segundo livro dessa série trará muito mais elementos de terror e horror, contando com histórias muito mais sombrias e angustiantes. Além disso, posso adiantar que vou inserir coisas que acabei tirando do primeiro livro, por exemplo, o segundo volume contará com fotos das personagens principais verdadeiras, bem como com algumas cartas e depoimentos antigos escritos à mão por algumas das pessoas que a minha avó acabou ajudando ao decorrer dos anos do trabalho espiritual dela. Portanto, de fato, vou assumir esse aspecto de obra baseada em fatos reais e colocar algumas arquivos que ainda tenho salvo que comprovam a veracidade de algumas situações e da minha que minha avó escolheu levar, então, estou muito ansioso com o lançamento do segundo volume dessa trilogia.



Palavra & Verso - Para um escritor de terror, como você vê o atual cenário de literatura fantástica no Brasil?

J. L. Silva - Existe sim um grande avanço na literatura fantástica e de terror brasileira. Cada vez mais novos autores e novas obras estão sendo publicadas, mostrando que existem sim ótimo escritores nacionais contemporâneos, veja como exemplo o catálogo da editora Palavra & Verso, existem ótimas opções de leituras ali, então, pouco a pouco, estamos melhorando, fomentando novos autores e estimulando os leitores a lerem mais livros nacionais e de escritores contemporâneos. Acredito que o grande problema mesmo com a literatura no Brasil é a própria falta do incentivo para ler, por mais que existe sim leitores, esse número ainda é baixo, justamente porque não trabalhamos o incentivo ao hábito da leitura nos pequeninos, nas crianças mesmo... Acho que esse seria o primeiro passo para transformar a educação brasileira e, consequentemente, o mercado literário nacional, mas, enfim, esse é uma discussão muito complexa e longa para ser debatida aqui. Além disso, por mais que a parcela dos brasileiros que lê seja relevante e aumente, mesmo pouco a pouco, a cada ano, os autores nacionais, principalmente, os autores iniciantes, precisam disputar com os autores estrangeiros, pois livros de outros países são muito mais lidos e comprados do que os dos autores nacionais. Então, outro ponto importante seria incentivar também a leitura de autores nacionais, isso fortaleceria bastante o mercado. Não que não se possa ler um livro de um autor estrangeiro, muito pelo contrário, sempre é bom ler um pouco de tudo, mas não se pode ficar somente restrito a isso. É preciso dar chance aos autores nacionais e as obras que são escritas em Língua Portuguesa, essa é a questão, existe muito preconceito com autores nacionais e isso não deveria existir; enquanto outros países exaltam os seus escritores, uma parcela dos brasileiros os avacalham, falam mal, e não tem problema fazer isso, desde que você realmente conheça e tenha lido, você pode não gostar de uma obra ou de um autor, mas não pode roubar dele o valor e o mérito que é ser um escritor, mesmo que seja de histórias que você não goste. Escrever é a coisa mais difícil que me deparei na vida, nunca vi tanta dificuldade em realizar uma tarefa quanto escrever, mas mesmo assim eu amo isso, não desisto e vou escrever para sempre, não sei fazer outras coisa a não ser isso: escrever.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos literários em mente para o futuro? Pode falar sobre alguns deles?

J. L. Silva - Sim, nossa, tenho muito projetos em andamento. Eu sempre escrevo mais de um livro de uma vez, no momento, por exemplo, além de acertar os últimos detalhes do segundo volume de “A Bruxa de Itaquera”, estou finalizando mais dois livros de poemas e mais dois romances. Os livros de poemas são “Poemas Sem Data”, uma seleção com os meus melhores poemas, todos premiados em concursos literários; e “Seio Poético”, que é uma coletânea de poemas escrita através de um eu-lírico feminino, portanto, estou muito ansioso para lançá-lo. Os romances que logo mais sairão do forno são: “Sob a Escuridão das Montanhas”, um livro que conta a história de uma mãe e uma filha que precisam viajar para uma cidadezinha isolado no interior de Minas Gerais para ajudar um familiar adoentado e acabam se deparando em meio a uma seita ocultista e um possível caso de possessão; e “Nove Musas”, um livro que contará a história de Apolo, um homem que no dia do seu casamento acaba entrando em pânico e pensa em fugir, então, ele sai andando pela cidade refletindo sobre os nove amores que ele teve na sua vida inteira e começa narrá-los para o leitor, sendo assim, passamos a conhecer os nove amores da sua vida, mulheres importantíssimas que fizeram parte da sua história, enquanto Apolo decide se deve casar ou não, se realmente ama sua noiva ou, na verdade, ama alguém do seu passado. Fora esses livros, eu também atuo na dramaturgia, escrevendo peças de teatro, então, tenho um livro com quatro peça originais que penso em lançar logo também. Tenho livros acadêmicas de pesquisa na área de Literatura para serem lançados. Eu me considero bem prolixo, escrevo bastante, então, sempre estou trabalhando em vários projetos literários a mesmo tempo e sempre tenho livros para serem publicados.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

J. L. Silva - Acho que a melhor dica que posso deixar é: escreva e leia bastante! Não acredito muito nessas dicas literárias, dicas para se tornar um escritor melhor, etc. Eu acredito que a melhor maneira de você se relacionar com a escrita e com a literatura é escrevendo e lendo, ponto final! Isso porque o que pode servir para um pode não servir para outro. Alguns tem facilidade em alguns aspectos e outros acham tal aspecto fácil, e assim por diante. É muito fácil eu me mostrar um conhecedor dos mecanismos da criação literária e começar a ditar milhões de regras / dicas: seja objetivo, corte adjetivos, cuidado com os advérbios, dente outras coisas. Porém, acredito que o processo de evolução e amadurecimento de cada escritor é algo que não se resume a dicas, mas sim ao próprio ato de escrever, aprender com os erros, treinar as suas habilidades praticando. Um atleta, por mais que nasça com certa disposição à prática esportiva, precisa de muito treino e dedicação para alcançar os seus objetivos e conquistar uma medalha, por exemplo. Acredito que também seja assim na escrita, ou melhor, em qualquer vertente artística, por mais que a pessoa nasça com uma certa predisposição para aquilo, ela precisa treinar para sempre se aprimorar e, principalmente, como eu disse antes, encontrar a voz própria dentro daquilo que ela se pré-dispõe a fazer. Portanto, o primeiro ponto seria esse, vou repetir: escreve e leia bastante; o segundo ponto, que também é fundamental, é saber que seguir no meio literário não é fácil, ser escritor não é fácil, existem muitas barreiras e desafios nesse caminho, mas que se é isso que você quer, não desista e siga os seus sonhos, porque a cada nova publicação, a cada novo livro lançado, aquela sensação de que todo o esforço valeu a pena é indescritível. Procura trabalhar também na área da escrita, qualquer coisa que faça você ler e escrever bastante, porque isso ajuda muito a sempre se manter afiado na leitura e na escrita, perceba que muitos escritores famosos eram / são jornalistas, professores, historiadores, críticos, atores, dentre outras profissões ligadas diretamente à necessidade de se trabalhar constantemente com os textos e com a leitura. Acho que é isso, sei lá, pelo menos para mim tudo isso funciona, não passo por bloqueios criativos e não tenha dificuldade em escrever nada, é como se fosse algo natural, que vem do nada, e eu acredito que seja por isso, porque leio e escrevo sempre e me cerco de inspiração, consumo muitas outras vertentes artísticas porque assisto muito filmes, séries, documentários, animes... jogo bastante videogame, sempre que posso vou ao teatro, espetáculos de dança, museus etc... cerco-me pela arte literal e literariamente (risos).


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