Quem é o autor Wesley Paranhos

"Não há inspiração melhor do que a vida real, aproveite a vida para poder escrever sobre ela." — Wesley Paranhos

Wesley Paranhos é formado em Design de Jogos. É um amante das histórias em quadrinhos e um grande fã do Homem-Aranha, Mulher-Maravilha e Batgirl. Possui como inspirações literárias Chuck Palahniuk e Stephen Chbosky. Nascido e criado no Rio de Janeiro, zona norte, diz que seu estilo é direto e enxuto. Opta por focar nos personagens e em seus conflitos ao mostrar um mundo sem encantos.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Wesley, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Você sempre quis ser escritor? E quem mais o apoiou no início da sua carreira literária?

Wesley Paranhos - Eu queria ser escritor, mas não de livros, desejava ser roteirista de jogos de videogame, tanto é que cursei faculdade de Jogos Digitais. Inicialmente, apenas uma amiga minha sabia que eu estava escrevendo um livro, e foi com ela que desenvolvi a trama inicial. Quando o livro tomou mais forma, eu contei para os meus pais e para outros amigos, que apoiaram bastante e ficaram muito felizes.



Palavra & Verso - Fale um pouco sobre o seu gênero de escrita, e qual é a importância dele em sua vida como leitor e escritor.

Wesley Paranhos - Eu tenho um grande interesse em contar histórias de personagens que fogem do comum, porque é uma forma de experimentar e mostrar vidas ocultas ou oprimidas pela sociedade. Os livros são formas de ver além de nossas perspectivas pessoais, o que nos ajuda a compreender as pessoas e a desenvolver a empatia necessária para criar um mundo melhor.



Palavra & Verso - Em relação a escrever, como é o seu processo de busca por aprimoramento profissional? Existe algum ideal de escrita que você persiga?

Wesley Paranhos - Eu busco consumir leituras diversas, mesmo que não sejam os meus gostos, e analisá-las como leitor e escritor. No primeiro, eu busco me entreter e penetrar nos mistérios da trama; no segundo, descubro o porquê de gostar ou não da obra, como o autor conduziu a trama, as causas de decisões dos personagens, e refletir sobre a forma como o livro foi escrito.

Não diria que tenho um ideal de escrita, não possuo algo a que me agarre, sou muito livre. No momento, eu estou aprendendo a respeito da construção e do desenvolvimento de personagens de mangás românticos, uma vez que esses personagens são extremamente carismáticos e queridos pelo público.


Palavra & Verso - Qual você acha que é a importância da música em um livro? Você gosta de ouvir música enquanto escreve?

Wesley Paranhos - Extremamente importante, a música é a alma dos meus livros. Todas as pessoas têm músicas que tocam os seus corações e são importantes em alguns momentos da vida, sejam tristes ou felizes. Dar vida ao personagem, atribuir um coração é saber qual estilo de musica ele ouve e suas músicas favoritas. Quando eu termino de construir as características básicas do personagem, eu paro e penso no que ele gosta de ouvir e fico horas escutando e lendo letras de músicas que se encaixam em seu perfil.



Palavra & Verso - Quais são os seus escritores favoritos, bem como os autores que influenciam a sua escrita? Além de autores, há filmes e séries que influenciaram suas obras?

Wesley Paranhos - Não acho que eu tenha escritores favoritos, porque mesmo que eu ame suas obras, não costumo segui-los em seus outros trabalhos, eu fico mais preso aos livros. Em todo caso, as obras e escritores que mais gosto são J. K. Rowling (Harry Potter), Chuck Palahniuk (Condenada), Stephen Chbosky (As vantagens de ser invisível), Eleanor & Park (Rainbow Rowell), Overlord (Kugane Maruyama), Kono Suba (Shōsetsuka ni Narō), e Watamote (Nico Tanigawa). Todas essas obras influenciaram a forma como quero passar minhas histórias, assim como meus objetivos com elas.

Filmes não me influenciaram muito, eu aproveito mais inspirações de séries de sitcom, como Seinfeld e The Office, e desenhos animados, como Star vs. As Forças do Mal e Apenas Um Show. Nas séries, eu gosto das situações cotidianas e as interações naturais entre os personagens. Em relação aos desenhos, acho interessante como as histórias são contadas de forma objetiva e simples, sempre com uma mensagem a ser passada ao telespectador.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para o seu livro “Por Que Não?”, e como surgiu a ideia do título?

Wesley Paranhos - A ideia veio numa conversa de uma amiga minha que compartilhou sua situação comigo. No caso, ela gostava de uma garota, mas não poderia ter uma relação com a mesma, devido aos pais não aceitarem essa relação, principalmente sua mãe. Dessa história, eu pensei em várias possibilidades, e uma delas foi a respeito do ponto de vista da de quem ela gostava, que pelo eu sabia era assumidamente lésbica e tinha o apoio dos pais. Eu também juntei essa historia com a de outra amiga minha, que tinha poucos amigos, nenhum sendo mulher, além de odiar todos os seus colegas de turma da faculdade por serem “playboys”.



Palavra & Verso - Em “Por Que Não?”, conhecemos a história de Fernanda e Thalita. Fale um pouco sobre as protagonistas do livro e como foi o processo de criação das personagens.

Wesley Paranhos - Para o processo de criação de personagem, eu tento manter um método padrão para dar forma e saber como ele é. São eles, respectivamente: nome com significado, história anterior, medos e motivações, gostos, personalidade, características físicas e um questionário de 100 perguntas que precisam ser respondidas sobre o personagem. Com os personagens principais, normalmente, eu faço todos os tópicos; já com os secundários, faço o que achar necessário.

A primeira que eu criei foi Fernanda, e meu intuito foi fazer uma garota que mostrava ser muito forte, mas tinha certos calcanhares de Aquiles que poderiam derrubá-la, e, apesar de ter fortes pilares, como seu pai e sua amiga Sofia, precisava de mais apoio e amor, por ser rejeitada e excluída pelos grupos que convivia. Fernanda foi tomando forma com a necessidade da história para depois nascer com sua personalidade e suas características de destaque. Seu jeito decisivo e seguro para se defender, mas indeciso e inseguro para amar foi criado naturalmente na escrita, assim como seu gosto pela leitura fantástica que foi mudando ao longo do enredo para algo mais pé no chão.

A última personagem criada foi Thalita, e ela foi feita de forma um pouco diferente do resto. Eu não fiz uma personalidade inicial, primeiro eu fiz seu background (sua vida, história anterior) de acordo com minhas pesquisas, relatos e o que história precisava, com um certo exagero para a mensagem ser mais explicita. Além disso, suas características foram feitas durante a escrita para dar a visão de um amor de expectativa ou idealizado do ponto de vista de Fernanda.



Palavra & Verso - Com o livro “Por Que Não?”, qual a principal mensagem que você almeja passar para os seus leitores?

Wesley Paranhos - A mensagem principal é que você merece, pode e será amada de todas as formas e uma boa amizade pode ser mais forte que qualquer paixão. Além disso, mostrar que é possível ter uma boa relação com os pais, ter uma amizade a distância e sempre haverá mais de uma pessoa que se interessará por você.



Palavra & Verso - Ainda sobre a obra “Por Que Não?”; como você sentiu que foi a recepção do público, com esse livro? O que os leitores desse gênero geralmente esperam?

Wesley Paranhos - Eu acredito que foi boa, o que eu mais queria era que os leitores criassem uma conexão com Fernanda, porque sei que ela é uma personagem inicialmente difícil de lidar, que começa muito reprimida, possuindo mais momentos baixos que altos. O público viu que tentei criar situações e problemas comuns para tornar a história real, tanto que não seria difícil alguém ter vivido situações semelhantes e sensações de desespero, insegurança, raiva, que qualquer um poderia passar.

Acho que muitos esperam algo otimista e não tantas situações infelizes e desagradáveis; meu estilo pode ser frio e direto demais às vezes, causando espantos e gatilhos. Contudo, sei que o público deseja que a realidade seja mostrada, tanto a boa quanto ruim, pois todos precisam saber o que está acontecendo no mundo.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Wesley Paranhos - Eu tenho dois projetos. Um está para ser finalizado e fechará meu ciclo sobre histórias colegiais. Ele fala sobre masculinidade tóxica afetando o homem e todos em sua volta, como também narra a origem de um massacre na escola - é uma obra forte, por assim dizer.

O segundo está em fase de pesquisa, é um livro no qual estou colocando minha alma, pois a minha inspiração vem da minha cantora favorita, Lana Del Rey, e planejo misturar sua vida, suas letras, suas poesias e seus álbuns em uma história romântica trágica que se passa no início dos anos 2000. Os personagens já foram criados e a trama principal já tem um certo direcionamento, contudo, eu preciso me ambientar mais na época e faltam informações para que eu possa dar coração e alma aos personagens.

Eu aprendi muito com o meu primeiro livro, “A Queda da Princesa”, e muito mais com “Por Que Não?”, e pretendo, com essa experiência, poder sair um pouco da caixa e me desafiar, visto que para crescer nós precisamos enfrentar e superar novos problemas, sendo um deles o mistério de algo novo.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Wesley Paranhos - Tempo. Demore o tempo que for preciso para deixar a obra como você deseja e respeite seu tempo quando você não quiser escrever ou ler. Não se culpe, não se sinta pressionado, isso acontece. O melhor que você pode fazer é viver! Não há inspiração melhor do que a vida real, aproveite a vida para poder escrever sobre ela, não fique trancado forçando as palavras saírem, respire, pegue um ar na rua e volte quando elas surgirem naturalmente.



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