A magia da obra de Sthéphanny A. Camilo

"Você precisa acreditar no que faz, e, se acreditar, é você quem decide onde você vai parar." — Sthéphanny A. Camilo

Sthéphanny A. Camilo é apaixonada por livros. Lê livros desde quando aprendeu a ler e escreve desde que aprendeu a juntar palavras. Publicou seu primeiro livro: Morgana - o despertar da lua em janeiro de 2021. Sonha que um dia suas palavras e histórias preencham vários corações e transformem vidas como as histórias de outros autores transformaram a sua.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Sthéphanny, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Com que idade você começou a escrever, e quem mais te apoiou no início de sua carreira como escritora?

Sthéphanny A. Camilo - Acredito não ser exagero dizer que escrevo desde que aprendi a ler. Sempre fui apaixonada pela leitura e tenho uma imaginação muito fértil. Eu sempre arranhei alguns versos, poesias, textos... E apesar de no início não serem os melhores, fui me aperfeiçoando... Porém, confesso que escrever um livro foi um processo mais demorado. Lembro que às vezes as histórias não acabavam como eu queria, e então, comecei a pensar que, talvez, eu poderia criar uma do meu jeito. Morgana foi minha segunda tentativa de escrever um livro de fato e, apesar de eu ter terminado o primeiro, eu acredito que ele tenha sido um “teste drive” antes do que eu realmente queria. Eu comecei a escrever Morgana em meados de 2015, meu último ano escolar. Eu tinha 17 anos.

Minha família é minha base de apoio. Eu escrevia e lia pra eles, eu adorava ver a cara do meu pai quando eu terminava de ler meus poemas, amava quando minha mãe falava “muito bom” e me olhava com um sorriso. Eles foram a minha primeira plateia, as primeiras pessoas para quem eu tive coragem de mostrar o que eu escrevia e, até hoje, tem coisas que escrevi e escrevo que só eles conhecem.



Palavra & Verso - Quais são suas principais referências para escrever? Cite alguns dos seus autores favoritos.

Sthéphanny A. Camilo - Eu gosto muito da escrita do Nicholas Sparks. O primeiro livro que eu li tirando os livrinhos de contos infantis foi O Milagre, dele. Eu amo o sentimentalismo e o cuidado com os detalhes que ele coloca nas palavras. Ele passa a emoção que os personagens estão sentindo de forma tão genuína que nos faz sentir também.

Outra grande autora pra mim é J. K. Rowling, isso porque gosto muito da forma simples que ela escreve, é uma escrita atemporal e para todo mundo. Uma criança, um adolescente, um adulto, um idoso... Qualquer pessoa que pegue Harry Potter para ler sabe o que ela quis dizer, participa da história, entra para Hogwarts e vira parte da família. Essa é uma delicadeza que eu tento colocar nas minhas próprias histórias.

Por fim, minha autora favorita, Sarah J. Maas. A cabeça dessa mulher é incrível! Tantos detalhes, personagens, histórias... Cada livro dela é uma enxurrada de coisas diferentes, magia e personagens... Ela tem uma escrita que me faz ter dificuldades de separar se eu vi ou li aquilo de fato.

Claro que amo muitos outros autores também, mas estes são os que eu mais me inspiro para a minha escrita.



Palavra & Verso - Como é o seu processo de criação? Você passa por bloqueios criativos?

Sthéphanny A. Camilo - Infelizmente o bloqueio criativo faz parte da minha vida. Quando eu sento para escrever e ele se faz presente, eu procuro lugares para atiçar a imaginação. Por exemplo, sento na varanda para olhar o por do sol, a vista em si. Fico olhando para minha cachorrinha, A Sher. Busco paisagens no Google, etc... Imagens e paisagens bonitas massageiam minha criatividade.

E, quando nada disso funciona e eu continuo presa na história, eu parto para o meu elemento X, meu irmão Christian. Ele tem ideias mirabolantes que me fazem viajar no meu próprio mundo, ficamos horas falando sobre a história, eu leio pra ele o que eu já tenho e nós criamos mais. Ele desenterra as ideias que não saem sozinhas e, geralmente, depois de horas conversando com ele eu consigo escrever direto. Ele é o que eu posso chamar de leitor beta pra mim.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor?

Sthéphanny A. Camilo - Pra mim é a instabilidade da escrita. Porque escrever não é só sentar e digitar, tem toda uma conexão entre mente, coração, sentimento... Eu acredito na escrita como um processo gostoso, suave e delicado. E isso se torna um obstáculo porque, às vezes, eu sento e escrevo dez capítulos maravilhosos e quando termino, acredito que tudo está incrível e escrever é maravilhoso. Mas tem dias que eu quero escrever, me sento, me concentro e... Não sai absolutamente nada, nem uma frase sequer.

Pra mim isso é o que tem de mais difícil porque, eu quero terminar o livro, mas não consigo escrever. E, se me forço, não gosto de como ficou. Enfim, a instabilidade do meu processo como um todo é o que mais dificulta, e às vezes, isso vai além do bloqueio criativo porque eu sei exatamente o que eu quero escrever, mas a forma como escrevo é o que realmente conta, a forma como a ideia ganha vida no papel. E a minha instabilidade está ligada, diretamente, a isso. A como meu leitor vai ler o que eu imaginei.



Palavra & Verso - Qual você acha que é a importância da música em um livro? Você gosta de ouvir música enquanto escreve?

Sthéphanny A. Camilo - A música é parte da minha vida. Sou apaixonada por música, amo ouvi-las e não é raro me vir ideias enquanto escuto uma música. Mas confesso que não é algo que eu utilizo para escrever. Quando escrevo, utilizo de muita concentração e, às vezes, quando passa uma música que eu gosto ou sei a letra, começo a cantar e me perco.

Não é impossível para mim, já aconteceu de surgir uma ideia e eu correr para escrever ainda escutando a música, mas, como é algo que eu gosto muito, acaba me atrapalhando.

Porém, eu realmente amo quando o autor coloca uma música na história, e você se sente lendo com trilha sonora. Eu sempre busco as músicas citadas nas histórias e muitas delas entram para as minhas preferidas.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para o seu livro “Morgana – o despertar da lua”, e como surgiu a ideia do título?

Sthéphanny A. Camilo - Eu amo fantasia, amo magia e amo aventuras. Amo a mocinha derrotando o vilão, amo as histórias de amizade, amo o desenvolvimento pessoal do protagonista e como ele se torna alguém que somente ele não acreditava que era possível. Amo no final aquele poder pessoal de dizer, “Hey, eu realmente consegui, eu fiz isso”. Eu amo um clichê.

Morgana foi um misto de todas essas coisas que eu amo. Quanto mais eu lia sobre isso mais me dava vontade de falar sobre isso. E então, o livro foi nascendo, foi desenvolvendo no meu subconsciente e foi tomando forma. Quando comecei a escrever sobre fadas, urubus falantes e portais mágicos, foi caindo a ficha de que, em um mundo fantástico, eu poderia fazer literalmente qualquer coisa, Ana poderia ser quem eu quisesse. E então fui desenvolvendo isso.

O título é a minha fraqueza, ou ele é a primeira coisa que eu penso e a história é toda sobre ele, ou o título é o ultimo detalhe que eu coloco e eu fico dias pensando nele. Mas o de Morgana, como eu queria que fosse tudo sobre ela, achei que seria justo ser o nome dela. E o subtítulo veio no desenvolver da história, quando foi sobre lua, quando foi sobre o poder despertar nela, primeiro quando apareceu, e depois no gran finale. O título praticamente apareceu na minha frente e eu disse: “é isso”.



Palavra & Verso - Em “Morgana – o despertar da lua”, conhecemos o universo de Phanmor-one. Fale um pouco sobre como foi criar esse lugar mágico.

Sthéphanny A. Camilo - Foi incrivelmente divertido!

Pega um pouco naquilo que eu falei, sobre a liberdade que a fantasia nos dá de poder fazer qualquer coisa. Então eu pensei: "se eu podia criar Keelands, imagina o que eu poderia fazer com um mundo todo?"

Foi frenético o jeito que minha cabeça trabalhava, era como se eu estivesse vendo aquilo ali bem na minha frente. Foi tão maravilhoso criar a Floresta dos Cristais, eu queria algo que as pessoas parassem um minuto para deixar a imaginação vagar, eu queria algo diferente e tão mágico que falassem “meu Deus, de onde veio isso?”.

Sou apaixonada pela natureza, mas sabia que lugares bonitos existem em tudo e em qualquer coisa, eu queria algo a mais e, como tinha acabado de falar dos magníficos olhos turmalina do Ethan, a ideia veio como um clique. E foi basicamente assim, os lugares iam surgindo de acordo com a necessidade da história. Como um lugar extremamente verde para prender uma vampira, ou uma fada da música presa com o Misôia - a ideia dele veio da Misofonia. O Google foi um grande aliado, não vou mentir.

Eu queria algo conhecido, mas totalmente diferente. Queria que Phanmor-one ficasse preso na cabeça das pessoas como Nárnia ou Asgard. Eu queria que as pessoas quisessem ir para Phanmor-one e viver lá para sempre. Mas é bom evitar a Floresta Esquecida, só por precaução.



Palavra & Verso - Como foi a criação da personagem principal, a bruxa Morgana? Fale um pouco sobre ela.

Sthéphanny A. Camilo - Eu não queria uma protagonista perfeita. Sim, é isso. Eu queria alguém que ninguém gostava de início. Eu queria alguém que você não ia gostar no início, mas que no decorrer da história ela fosse te conquistando.

Uma garota normal que descobre que é uma bruxa, seria clichê ela ser perfeita, mas nós não somos perfeitos, pessoas não o são. E eu quero que quem estiver lendo o livro simpatize com essa imperfeição, que a pessoa possa se sentir um pouco Morgana.

Ninguém é obrigado a lidar com tudo com maestria, sempre. A vida dela virou de cabeça para baixo, eu precisava que ela lidasse com isso como uma adolescente normal.

E então, à medida que ela foi conhecendo as pessoas, vivendo naquele mundo, crescendo na sua magia, descobrindo quem ela de fato é, ela foi se tornando alguém que você iria querer por perto, cheia de defeitos mas que trabalha para se tornar melhor a cada dia, nós somos assim. Todo mundo dizia a ela o tempo todo que Phanmor-one estava nas mãos dela, mas eu queria que ela salvasse o mundo Fantástico porque ela queria, não porque ela precisava.

Morgana foi criada para ser imperfeita, para se desenvolver pessoalmente além de desenvolver a magia, para que qualquer um pudesse se sentir assim como ela, perdida. Mas também para mostrar que não é o fim do mundo, que mesmo que tudo mude e você perca o controle da sua vida, você precisa levantar a cabeça e lidar com isso, só assim as coisas vão dar certo no fim.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Sthéphanny A. Camilo - Nossa, sim! Muitos mesmo.

Eu tinha muito medo das pessoas lerem o que eu escrevo, e Morgana me mostrou que eu posso dar a cara a tapa. Morgana será uma trilogia, e eu já estou trabalhando no segundo livro. Além disso, tenho outras histórias indo para o papel, inclusive um romance sobre perdas e recomeços, e outra fantasia cheia de criaturas novas que saíram diretamente da minha cabeça maluca.

Eu amo escrever, e minha mente vive cheia de ideias novas. Espero muito em breve poder compartilhar mais, que conheçam mais personagens além de Morgana, mais mundos além de Phanmor-one e mais histórias além de Morgana - o despertar da lua.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Sthéphanny A. Camilo - Sonhar é importante, mas é só o primeiro passo. Não é porque uma vez não deu certo que não vai ser possível. Não é porque alguém não gostou que você não é capaz. Você precisa acreditar no que você faz, e, se você acredita, é você quem decide onde você vai parar. Tudo vai depender do quanto você vai se esforçar para chegar aonde você quer chegar. Sorte ajuda, mas ela é exceção, não a regra. Corra atrás com seus próprios pés para que você possa voar com suas próprias asas.



Palavra & Verso - E por último, um bate e volta:

Uma pessoa: Minha mãe.

Um livro: O Pequeno Príncipe.

Uma música: Distraídos venceremos – Vespas Mandarinas.

Um gênero: Fantasia.

Um filme: Todos os filmes de heróis / Legalmente Loira / 10 coisas que eu odeio em você (não consigo escolher entre esses, desculpa).

Um sonho: Viver da minha escrita, que minhas histórias toquem as pessoas como as que eu leio me tocam.

Uma frase: “Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar.” – Harry Potter e as Relíquias da morte, J. K. Rowling.


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