O terror pelos olhos de Pedro A. Itagiba

"Lutamos contra as adversidades da vida, porém, é necessário a persistência." — Pedro A. Itagiba

Pedro A. Itagiba, brasiliense e de família mineira, sempre foi um amante de livros. Na adolescência arriscou escrever o primeiro livro, uma história de mistério e ação, mas não houve a tentativa de publicar. Amadureceu, se dedicou aos esportes, música e ao Direito, conheceu mais pessoas e teve então mais ideias, que considerou darem em bons livros. Se dividindo entre suas atividades acadêmicas e extracurriculares, colocou as ideias no papel, ou no Word, e uma delas foi a escolhida para ser sua primeira obra publicada, “A Última Noite”. Percorre, constantemente, sua trajetória em busca de suas próximas conquistas.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Pedro, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Você sempre quis ser escritor? Como a escrita surgiu na sua vida?

Pedro A. Itagiba - Bem, eu nunca tive o sonho de ser escritor pois nunca pensei ser capaz de tal, mas sempre tive uma paixão pelos livros. Quando tinha por volta de 6 ou 7 anos, minha mãe havia pedido para eu escrever um pequeno texto. Escrevi uma pequena narrativa sobre um suspense policial. Minha mãe, após ler, se impressionou e me motivou a continuar escrevendo.



Palavra & Verso - Como foi sua trajetória literária? Fale um pouco sobre “A Última Noite” e outras obras de sua autoria.

Pedro A. Itagiba - Eu tenho insônia, todas as noites gasto um bom tempo para dormir, mesmo acordando cedo, para mim, era um grande incômodo. Porém, após um tempo, fiz dos limões uma limonada. Comecei a escrever “A Última Noite” justamente narrando como era no início uma pessoa que tem insônia. John Piper, um pastor norte americano teve câncer e escreveu um livro chamado “Não Desperdice Seu Câncer”. Tal livro foi escrito em detrimento à situação em que o próprio autor viveu. No livro, ele traz a ideia de que mesmo com situações ruins, é preciso saber tirar proveito e lição disso.



Palavra & Verso - Quais são os seus escritores favoritos, bem como os autores que influenciam a sua escrita? Indique alguns livros que são as suas principais inspirações.

Pedro A. Itagiba - Muitos autores me influenciaram, dentre eles: C.S Lewis, J.R.R Tolkien, George McDonald, Sr. Arthur Conan Doyle, Fiódor Dostoiévski e Dante Alighieri. Dentre os livros desses titãs da literatura mundial, estão os livros das crônicas de Nárnia, o universo da terra média de seu amigo Tolkien, LOTR, todos os Sherlock Holmes, Crime e Castigo e a Divina Comédia.



Palavra & Verso - Como é a sua rotina de escrita? Você escreve todos os dias?

Pedro A. Itagiba - Não, infelizmente sou relapso demais para escrever todos os dias. Devido à corrida diária de minha vida, é um pouco difícil escrever todos os dias, porém, quando estou “engatado” em um livro, passo longas horas escrevendo.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para começar a escrever o livro “A Última Noite”, e como surgiu a ideia para o título?

Pedro A. Itagiba - Como supracitado, a ideia chegou até mim como uma forma de passar o longo tempo das madrugadas acordado. A ideia do título foi uma metáfora à insônia. Como se todas as noites você morresse ou “se desligasse do mundo”.



Palavra & Verso - Em “A última Noite”, a história é ambientada em diversos cenários sombrios, uma vez que a trama se passa após a morte do protagonista. Como foi imaginar e descrever estas cenas tão atemorizantes, as quais o livro relata?

Pedro A. Itagiba - A ideia de cenários tão aterrorizantes é que, na minha opinião, o pior filme de terror ou a pior cena e história de horror se passa na sua mente, não em um ambiente físico. Somos nós quem criamos um pesadelo para nós mesmos. Somos nós quem aprisionamos nossas mentes, criamos cenários de terror imaginando coisas que jamais acontecerão, porém, para nós, é uma tortura, uma agonia sem igual.



Palavra & Verso - Na obra, o personagem Leo enfrenta diversos obstáculos, sendo o principal, a terrível batalha contra o demônio Anxius; como foi o processo de criar o personagem principal da obra, e do seu antagonista?

Pedro A. Itagiba - A criação do Leo não foi algo tão complexo, na verdade, o ímpeto foi justamente fazer com que Leo fosse qualquer pessoa que lesse o livro. A ideia é que qualquer pessoa que leia o livro possa se identificar com o personagem, porque todos nós temos traumas e ansiedades. A criação de Anxious, o carrasco da história, é uma antropomorfização e zoomorfização da ansiedade. As características daquilo que o demônio da obra faz com o Leo são justamente aquilo que paulatinamente a ansiedade faz conosco. Assim como no livro, Anxious retira de nós o brilho, aquilo que mais nos faz reluzir, os nossos sonhos.



Palavra & Verso - “A Última Noite” é uma obra que contém metáforas e ensinamentos para a vida real. Como você sente que foi a recepção do livro, por parte dos leitores?

Pedro A. Itagiba - Houve uma recepção que eu diria muito boa. Tive críticas, como toda obra, em relação à sanguinolência e torpeza que há no livro, bem como a monotonia dos cenários, quase como uma sala de tortura, todavia meu objetivo foi justamente isso, mostrar o quão brutal é a monocromia da ansiedade. Você não faz absolutamente nada, não move um músculo do seu corpo, porém sua mente já está pensando em um universo de possibilidades para te minar e destruir suas perspectivas.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre “A Última Noite”; qual a principal mensagem que almeja passar, através da sua história?

Pedro A. Itagiba - A mensagem que desejo deixar para os leitores de “A Última Noite” é: não importa em quão profundas trevas você esteja, sempre haverá uma estrela brilhando nos céus. No livro, enquanto Leo é arrastado por Anxious, ele olha de relance para os céus e repara um pequeno ponto de luz brilhando. Aquele pequeno ponto de luz é a esperança. Na minha vida, encontrei duas esperanças para continuar: Deus e minha família. A minha família é composta além de laços sanguíneos, amigos especiais, tios de consideração e minha noiva. Espero que você que está lendo isso encontre a sua esperança para continuar a jornada da vida.



Palavra & Verso - Você pretende, em breve, escrever e publicar outros livros do gênero “terror”?

Pedro A. Itagiba - Sim, já estou trabalhando em uma continuação do livro “A Última Noite", que se chamará “O Primeiro Dia”. Falta de criatividade? Talvez! Mas se encaixa perfeitamente com meus planos. Entre as pessoas que amaram a obra, sugeriram fazer uma pequena mudança da capa de "A Última Noite” e simplesmente amei, apenas cambiar o preto pelo branco. Para o excelente ilustrador e capista da Palavra & Verso, será moleza!



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos literários em mente para o futuro? Pode falar sobre alguns deles?

Pedro A. Itagiba - Sim, tenho diversos projetos! Estou com 5 livros em andamento, “O Primeiro Dia” é um deles. Mas publiquei um livro independente chamado “Acímado”. Está no meu instagram para conferir. É um universo COMPLETAMENTE diferente, pois ali, eu navego nos rios da imaginação. Criei um universo que adorei fazer, é uma literatura que em muito me inspirei em “Nárnia” e “Senhor dos Anéis”. Conto como Deus, ou Soberano no livro, criou os céus, a terra, as estrelas, a humanidade e demais acontecimentos que ocorreram.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Pedro A. Itagiba - Sim, adoraria deixar um recado para todos que estão lendo isso, principalmente aos escritores. Durante a segunda guerra mundial, as tropas alemãs estavam dizimando a Europa, as nações estavam sendo afugentadas e temiam que os avanços deutsches terminassem dando a vitória à Alemanha. Porém, um homem chamado Winston Churchill se recusou a se render. Ele era o primeiro ministro do Reino Unido e disse incansavelmente que não iria retirar as tropas inglesas do campo de batalha, arquitetando assim o “Dia D”, a maior operação de guerra já feita, graças a isso, o mundo é como o conhecemos. A pequena lição que deixo com essa história é: travamos batalhas todos os dias, vamos para a fronte de batalha todos os dias, quando levantamos e nos arrumamos para ir trabalhar, lutamos contra as adversidades da vida, porém, é necessário a persistência, é necessário acreditar naquilo que fazemos, é preciso dizer “sim” quando todos ao nosso redor dizem “não”. Duas pequenas frases para encerrar, uma frase de Thomas Edison quando perguntado sobre tantas vezes em que ele errou ao tentar criar a lâmpada e a outra do livro de Provérbios. “Eu não falhei. Apenas descobri 10 mil maneiras que não funcionam.” A segunda é “A vereda do justo é como o brilho da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Obrigado a todos que leram até aqui.


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