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O universo dos livros de Cristhian Couto


"Se a escrita faz parte da sua alma, jamais pare de escrever."

Cristhian Couto é gaúcho, nascido na cidade de Ijuí em 1999. O mundo da literatura sempre foi uma realidade quando desde pequeno adorava mergulhar nas histórias contadas por outros escritores. Com o tempo, começou a escrever as suas próprias histórias e aos 14 anos finalizou o seu primeiro livro. Ao longo dos anos, procurou conhecimento sobre o mercado literário atuando como escritor independente, designer e administrador das suas obras que já ultrapassam dez livros lançados.

Atualmente é acadêmico de Letras: Português e Inglês e também integra o grupo de artes cênicas da sua faculdade, Cadagy. Para Cristhian, a arte é o seu refúgio.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Cristhian, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Como é a sua rotina de escrita? Você estabelece metas para si mesmo?

Cristhian Couto - Quando penso em elaborar uma obra estabeleço metas do que preciso escrever, geralmente um capítulo por dia, isso contando com a revisão dele, pois eu escrevo um capítulo e logo após já faço a sua correção. Assim, minha meta é sempre um capítulo por dia depois de definido o livro. É claro que quando estou com um tempo mais livre, férias da faculdade ou trabalho eu aumento essa meta para no mínimo três capítulos por dia, mas é raro de acontecer por causa da rotina trabalho / estudo.

Além disso, após a conclusão de um livro eu sempre retiro um tempo antes de embarcar em uma nova escrita para que eu possa amadurecer ideias.



Palavra & Verso - Você escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento?

Cristhian Couto - Acredito que eu misturo essas maneiras de escrever, no entanto para todos os meus projetos eu crio diversos documentos com os pontos específicos que eu preciso trabalhar dentro de cada capítulo. É claro que algumas coisas novas surgem no decorrer da escrita, mas eu penso sempre em trabalhar aquilo que já defini como meta.

Na questão da busca por aprimoramento sempre busco ler livros de diferentes temáticas, pois assim consigo compreender melhor cada gênero e o tipo de escrita que varia dependendo da temática. O que contribui também nesse meu processo é estar cursando Letras: Português e Inglês na faculdade, assim consigo tirar muitas dúvidas e aprender mais sobre como a escrita.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor?

Cristhian Couto - Acredito que o maior desafio é as pessoas verem o escritor como um trabalhador, a escrita como uma profissão, porque muitas podem pensar que é fácil criar uma obra, mas não imaginam todo o processo trabalhoso de criação por trás de um livro. Além disso, o fato de ser um escritor brasileiro também é difícil, pois no Brasil muito se valoriza apenas as obras internacionais, sendo que temos muitos talentos dentro do nosso próprio país e que deveriam ser mais valorizados.



Palavra & Verso - Quantos livros você já tem publicados? Fale um pouco sobre eles.

Cristhian Couto - No total eu tenho 22 livros publicados e estou encerrando o 23º.

Ao falar sobre os meus livros, eu gosto de dizer que experimento um pouco de tudo, pois tenho quatro livros de romance clichê LGBTQIA+. Também tenho uma coleção de 6 livros chamada “Universo Sombrio Místico” onde exploro a fantasia sombria baseada em criaturas místicas. Livros solos, mas também que se relacionam entre si. Porém, a minha primeira saga escrita foi “Descendentes da Fundação” que explora um universo distópico. Portanto, transitei por todos os gêneros dentro desses anos, mas agora estou focando mais nos meus livros que defino como “Sombrios” que são livros que exploram a parte mais sombria da alma humana.



Palavra & Verso - Quem mais te apoiou no começo da sua carreira como escritor?

Cristhian Couto - É estranho pensar sobre, pois eu só disse para todos ao meu redor que era escritor quando finalizei o meu primeiro livro e uma agência literária quis lançá-lo, foi uma surpresa para minha família saber sobre isso, mas logo depois recebi muito apoio vindo deles. Eles fazem questão de saber como está sendo o meu processo, acompanhar os meus lançamentos e isso é muito gratificante. Além disso, meus amigos mais próximos sempre estiverem presentes também.



Palavra & Verso - Existe algum livro de Romance, Terror, Fantasia ou qualquer outro gênero que gostaria de ter escrito?

Cristhian Couto - Como gosto de transitar por diferentes gêneros já experimentei de tudo um pouco, acho que essa é a graça de ser escritor, não se delimitar apenas alguma coisa, em uma mente podem sair mil histórias diferentes. Assim, penso que futuramente possa me arriscar a escrever um romance policial que foi um dos gêneros que ainda não me detive a escrever, mas seria muito prazeroso.



Palavra & Verso - Como surgiu a ideia de escrever “Venha para o inferno, Lisa”? E como surgiu a ideia para o título do livro?

A ideia do livro surgiu de um interesse em jogar com o mundo espiritual e assuntos que atraem bastante a atenção do leitor. A ideia de trazer uma residência como foco e nela acrescentar toda a história do anjo caído mais popular no nosso mundo: LÚCIFER. Ligar esse tema da religião para discutir assuntos que nos cercam. E, para o título eu quis criar algo provocativo, logo depois que defini a temática da obra já criei o nome “Venha Para o Inferno, Lisa” antes mesmo de criar o primeiro capítulo. Pois, acredito que o título é o primeiro contato com a obra e deve ser algo impactante, algo que os leitores vão lembrar.



Palavra & Verso - Como foi criar a personagem central da trama, a Lisa? Fale um pouco sobre ela.

Cristhian Couto - Já a criação de Lisa Malai foi inspirada no mundo musical, na cantora Lalisa Manoban, do grupo sul-coreano Blackpink. Muito mais que um nome forte, eu vejo em Lisa alguém com uma grande atitude. Ela realmente domina o palco quando sobe nele. Assim, toda a construção visual foi inspirada nela. Na história, Lisa é assumidamente pansexual, o que nas minhas histórias eu sempre procuro trazer a força da representatividade nos personagens. Como um escritor preto e homossexual, sempre senti falta disso, e hoje trago isso para as minhas obras. Espero que algum dia elas ganhem cada vez mais espaço.



Palavra & Verso - Seus livros fazem sucesso na Amazon. Você tem alguma dica para autores que estão começando?

Cristhian Couto - Depois de anos escrevendo, hoje eu possuo um bom público na plataforma Amazon, mas eu tive que estudar bastante como ela funciona e é isso o que eu oriento os novos escritores, estudem as plataformas onde vocês publicam. Criar estratégias de divulgação é muito importante, por exemplo deixar o livro grátis durante alguns dias para que as pessoas possam baixar e conhecer sua escrita, pois é difícil as pessoas comprarem livros de escritores novos que estão começando, primeiro elas precisam te conhecer. Assim, eu criei histórias mais curtas e fui lançando com o tempo, logo os leitores foram me conhecendo e entendendo a minha proposta como escritor. Acho que manter esse contato com eles pela rede social também pode ser uma grande aliada para o sucesso nas plataformas.

Também, é importante estudar os gêneros que estão em alta no momento, entender o que os leitores estão consumindo, isso pode ajudar e muito para atrair um novo público.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente para o futuro? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Cristhian Couto - Projetos é o que não me faltam, pois a escrita sempre vai ser parte de mim, nunca desejo parar de escrever, afinal ela me inspira a viver. Afinal eu comecei a escrever quando estava enfrentando um período difícil na escola relacionado ao bullying e também o meu processo de aceitação como um garoto homossexual, então a escrita me ajudou a querer continuar a viver. Com a escrita, eu me descobri e me encontrei. Hoje eu devo tudo a ela e por isso crio histórias com o protagonismo LGBTQIA+, porque acredito que outras pessoas também precisam disso, entenderem que não somos limitados a nada e que podemos ser tudo o que quisermos e que está tudo bem.

Um dos meus projetos para o futuro que eu posso revelar e que já está em amadurecimento, é transformar os contos de fadas que conhecemos em histórias mais sombrias, histórias renovadas para a atualidade... Quem sabe, muito em breve meus leitores possam saber mais.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Cristhian Couto - Jamais desistam, por mais que as pessoas digam que isso não vai levar a lugar algum, se a escrita faz parte da sua alma, jamais pare de escrever. A caminhada é difícil, não temos como negar, ainda mais em um país que pouco se valoriza a cultura, mas se fizermos nossa parte como leitores / escritores nós podemos mudar as coisas. Nossos sonhos são grandes e devem ser sonhados, e nesse processo também é importante apoiar outros escritores que estão nessa mesma caminhada, assim conseguimos ampliar o reconhecimento do trabalho de todos.



Palavra & Verso - E por último, um bate e volta:

Uma pessoa: Taylor Swift.

Uma música: Style, Taylor Swift.

Um gênero: Terror

Um filme: Jogos Vorazes Em Chamas.



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