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Por dentro da obra de Hector Leandronic

"Dos erros e da persistência nascem as melhores histórias!"

Hector Leandronic é jauense, formado em Arquitetura e Urbanismo pela Unisagrado, músico e compositor de vários projetos autorais e covers (Evil Remains, Bullet Bills, Índole, Stifsim – Misfits Cover) e, além disso, divide seu tempo com a pintura. Iniciou na literatura por volta de 2012, tendo publicado seu primeiro conto em duas antologias no ano de 2019 e uma terceira em 2020. Conosco, publicou o livro “La Symphonie Finale”, obra do gênero terror / suspense.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Hector, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Como é a sua rotina de escrita? Você estabelece metas para si mesmo?

Hector Leandronic - Quando eu comecei a escrever, sinto que o turbilhão de ideias veio sempre mais constante e, por isso, concluía as histórias com mais assiduidade. Hoje, diante de outras responsabilidades e comprometimentos, acabo tendo que espremer meu tempo para me dedicar a escrita de tantas outras histórias que estão me aguardando para serem concluídas. Contudo, quando me sento para escrever, gosto de estabelecer a meta de, ao menos, um capítulo (que costuma ter de 6 a 10 páginas).

Acredito que uma quantidade “pequena” de escrita gera uma qualidade melhor na história, pois você foca naquele nicho do todo.



Palavra & Verso - Fale um pouco sobre a literatura de terror, e qual é a importância dela em sua vida como leitor e escritor.

Hector Leandronic - A importância do gênero é poder criar o desafio de encontrar a novidade em meio a tanto clichê. Não digo que estamos cansados de filmes ou livros de fantasmas, demônios e cabanas no meio da floresta, mas, quando se consegue pegar esses elementos e trazê-los de alguma forma original ou diferente do que costumamos ver, é um ponto muito válido e gratificante como autor. Logo, se aplicarmos isso aos demais gêneros, sempre haverá de conseguirmos surpreender o leitor.



Palavra & Verso - Quais são os seus escritores favoritos, bem como os autores que influenciam a sua escrita? Cite alguns livros que você indicaria para nossos leitores.

Hector Leandronic - Acho que não podemos nunca citar o gênero terror sem mencionar Stephen King. Devo admitir, com certa vergonha, que eu não sou um leitor tão ativo quanto eu sei que deveria ser. Mas acho que se deve ao fato de que passo mais tempo criando do que lendo. Outro fator é que eu evito buscar referências sobre algo que estou escrevendo, para evitar o direcionamento de uma ideia. Mas, claro que gosto de ler. Robert Kirkman é um dos meus preferidos por seu trabalho com The Walking Dead, seja nos quadrinhos ou nos romances.

Eu indicaria “O mágico de Oz”. Gosto como a história flui e acaba não se prendendo numa história infantil apenas, mas trazendo certa surpresa na história, como a morte de certos personagens, as analogias e os traços dos personagens.



Palavra & Verso - Você escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento?

Hector Leandronic - Acredito que a maior parte do que escrevo é intuitivo sim. Falei anteriormente sobre não buscar referências, mas isso se trata de algo bem específico. Quando eu escrevi “La Symphonie Finale”, tinha uma base sobre máfia, Itália, costumes e tudo mais. Já havia visto filmes com crime e assassinos em série, então você leva isso em conta.

No caso de aprimoramento, gosto sempre da realidade embutida na ficção. Posso inventar, mas baseando em algo possível e/ou cabível de se acontecer (pelo menos se tratando de algo não fantástico).



Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de ser escritor?

Como lidar com a procrastinação, o medo de não corresponder às expectativas. Como vencer os bloqueios criativos?

Hector Leandronic - Manter o foco numa história requer que você esteja totalmente imerso naquele mundo que está criando. Mas, na correria do nosso dia a dia, nem sempre conseguimos. Então esse seria um dos desafios, com certeza, além de arrumar esse tempo para fazer acontecer.

Sobre a procrastinação, ela é realmente uma inimiga aliada a vontade de escrever. Quando lhe sobra tempo, falta a “vontade” (palavra injusta de se usar aqui, mas vai servir). Você quer escrever, mas, às vezes, simplesmente não rola. E isso vai acontecer, portanto, não se frustre.

Mas quando o assunto é bloqueio, bom... Fica mais complicado. Já tive bloqueios de meses para superar um pedaço da história que não sabia como fazer ou qual era a melhor forma de conectar o momento em que eu estava na escrita com o que eu queria que acontecesse. Acredito que o melhor para desbloquear é sair de perto do texto. Pensar sobre o que está escrevendo e não forçar a escrita. Quando menos esperar, você tem uma ideia de que vai parecer tão óbvia que o bloqueio vai lhe causar até vergonha.

Sobre corresponder expectativas: sempre haverá alguém que vai gostar do que vai escrever. Claro que você deve procurar buscar os elementos que agradam o máximo de fãs de um gênero em comum. Mas, no geral, escreva! As críticas vêm de uma forma ou de outra, então, o melhor é não se preocupar com isso.


Palavra & Verso - Qual você acha que é a importância da música em um livro? Você gosta de ouvir música enquanto escreve?

Hector Leandronic - Eu, como músico, acho que a presença sonora em qualquer tipo de arte, se complementa de uma forma única. Em uma história, pode dar um fundo para seu pensamento (o do leitor). Quando eu digo que Benjamin está tocando notas frenéticas, mesmo sem mencionar se são graves ou agudas, forço o leitor a criar a própria música em sua mente. Ora, e cada um vai criar uma canção diferente. Diferente até mesmo da que eu criei quando escrevi.

A música também traz a importância do sentimento um pouco mais à tona. Ela acompanha o ambiente, o clima, a emoção, a cena. É simplesmente o par perfeito para qualquer coisa.

Mas, para escrever eu prefiro deixar de lado, pois me empolgo demais com música e acabo me distraindo, por mais que eu goste.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para o seu livro “La Symphonie Finale”, e como surgiu a ideia do título?

Hector Leandronic - "La Sympnohie Finale" surgiu de uma outra história, chamada “Riviéri”, a qual fora meu primeiro romance escrito e ainda não publicado. Na trama, um personagem conta que, no porão daquele bar, coisas horríveis já aconteceram e que ninguém mais deve descer lá. E eu queria contar a história dessas coisas horríveis. Além disso, eu queria um terror no meu currículo, mas tinha que ser a medida certa entre a tensão, a tortura e o gore. Queria criar o personagem e a história que chocasse, mas que não fosse gratuitamente. Algo feito somente para chocar é um pouco de perda de tempo, a meu ver. Não. Tem que ser mais. É onde entre a música, a máfia, as drogas e tudo mais.

E o título, bem, veio de quando eu decidi que cada vítima de Benjamin ganharia dele uma canção em sua “homenagem”. Logo, sua grande vítima seria também seu gran finale, ou, em outras palavras, sua sinfonia final.



Palavra & Verso - Em “La Symphonie Finale”, conhecemos uma história que se passa na Itália. Fale um pouco sobre como foi criar uma história ambientada em um lugar real, e os desafios de escrevê-la.

Hector Leandronic - Sem dúvidas a escolha da Itália foi pensada por minha parte por causa de todas as características que a história ia conter: a música clássica, a máfia e os vinhos da família La Voir Ezer. Fora isso, eu acho a Itália atraente por causa de sua arquitetura, já que sou arquiteto. Por isso, resolvi colocar um lugar real e trazer alguns pontos de referência, como o teatro onde Benjamin se apresenta no começo da história.

A dificuldade é conciliar o espaço, as distâncias reais para não faltar coerência. Fora isso, é uma boa aventura se envolver com um ambiente real.



Palavra & Verso - Na trama, os leitores são apresentados a um protagonista sádico e misterioso, Benjamin La Voir Ezer. Como foi o processo de criação desse personagem? Fale um pouco sobre ele.

Hector Leandronic - Benjamin é um caso que me desafiei em criar: alguém que não tinha a menor intenção em sua vida de se tornar um assassino com sede de sangue. Ele vem de uma família rica, boa e com boa educação. Nenhum motivo teria para percorrer caminhos tão sombrios. Acho que esse é um grande pronto importante, pois nos entrega como qualquer pessoa poderia ser um serial killer, até mesmo o mais improvável.

O desafio pessoal que tive também foi ser capaz de me permitir pensar nas coisas mais horrendas que se pudesse fazer com alguém. Claro que esse limite é questionável, mas, como eu disse antes: eu não queria apenas chocar gratuitamente. Sendo assim, não podia ser só sangue a troco de nada o tempo todo.

Devo admitir que, quando alguém quer ler este livro, fico sempre curioso e até receoso sobre o que vão pensar quando conhecerem o lado obscuro de Benjamin.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre “La Symphonie Finale”; como você sente que foi a recepção do livro, por parte dos leitores?

Hector Leandronic - A recepção foi das melhores. Todos que leram gostaram muito e tiveram quase que as mesmas impressões das mesmas partes (o que eu julgo ser algo bom, ainda que a crítica fosse negativa, que não é o caso). Os leitores que mais gostam do gênero comentam que parece que eu ultrapassei alguma linha com essa história, mas que isso foi bom para eles.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Hector Leandronic - Em andamento, tenho uma história que se chama “As Pessoas Que Brilham”, que vai tratar de contar uma ficção sobre novos signos do zodíaco, onde essas pessoas especiais precisam cumprir com um propósito em comum.

Dos demais, há várias histórias finalizadas só esperando sua oportunidade de sair para o mundo. Tenho mais 5 histórias finalizadas e que em breve espero poder apresentá-las ao mundo!



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Hector Leandronic - Não parem de escrever e não tenham medo nunca de mostrar suas histórias a alguém ou alguma editora. Se é o que você quer, faça. Dos erros e da persistência nascem as melhores histórias!



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