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Uma visita a Paris com Luana Schrader

"Acredite nos seus sonhos, se dedique e trabalhe para os realizar. Até o impossível é possível quando acreditamos no que queremos."

Luana Schrader, gaúcha com alma parisiense e viajante, é formada em Coaching, Moda e Imagem Pessoal pela École Supérieure de Relooking – ESR Paris, e atualmente graduanda em Letras e Literatura Inglesa pela Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL.

É membro da Academia Internacional de Literatura Brasileira – AILB, com participação em diversas antologias poéticas, nacionais e internacionais.

Amante das artes, considera a escrita como a mais genuína forma de expressão e conexão.

“Serendipity” é o seu primeiro romance, marcando a sua estreia, em voo solo, no mundo literário.

Dando sequência para nossa série de entrevistas com autores da Palavra & Verso, trazemos aqui um pouco da trajetória literária de Luana, bem como suas inspirações, seus próximos projetos, etc. Confira:



Palavra & Verso - Como a escrita surgiu em sua vida? Fale um pouco sobre o início de sua carreira como escritora.

Luana Schrader - Desde criança, a escrita esteve presente em minha vida, mas poucas pessoas sabiam. Eu sempre fui extremamente incentivada, mas nunca havia acreditado que seria relevante para o mundo o que eu escrevia, então era uma espécie de segredo, sabe?! Acho que muitos escritores já passaram por essa fase, antes de iniciarem a carreira.

Bem, e quanto a minha carreira como escritora, ela começou a dar os primeiros passos em 2019. Eu estava em um momento muito complicado da minha vida e nesse período comecei a escrever o que eu estava sentindo, em forma de prosa e poesia. Na época, foi uma espécie de catarse e decidi criar um Instagram, que se chamava “Serendipity”, com o intuito de ajudar quem estivesse passando por algo difícil. Ninguém do meu círculo pessoal sabia dessa página, e muito menos quem estava por trás da tela. O local era como um refúgio para mim e para os meus primeiros leitores. Enfim, a página começou pequena, mas com o tempo, foi crescendo e eu senti necessidade de dar um nome e um rosto para ela, afinal, já tinha leitores que começavam a criar um laço comigo e desabafavam, confiavam e liam. Foi nessa época que decidi sair dos bastidores, e tudo tomou uma proporção maior do que eu poderia imaginar. Em 2020, com o início da pandemia, o mercado literário teve uma grande valorização e as oportunidades começaram a surgir. Com o tempo, fui sendo convidada para participar de diversas coletâneas de prosa, contos e poesia, e assim mais pessoas começaram a ler o que eu escrevia, e a base de leitores foi aumentando aos poucos. Despretensiosamente, eu criei algo que com o tempo, descobri como o meu propósito de vida. Eu sempre li muitos romances, desde os clássicos até os contemporâneos, e diversas vezes havia me questionado como seria escrever um romance do jeitinho que eu adoraria ler. E assim, em 2021 o meu primeiro livro foi publicado pela Palavra e Verso, um romance que começou a ser rascunhado em 2019 e que significa muito para mim. O início da minha carreira como escritora não foi planejado, passou por diversas fases, mas desde o começo criei uma base de leitores e entre altos e baixos, com muito estudo e trabalho, tudo começou a fluir e acontecer.



Palavra & Verso - Fale um pouco sobre a literatura de romance, e qual é a importância dela em sua vida como leitora e escritora.

Luana Schrader - Eu sou apaixonada pela literatura de romance, me traz a sensação de empoderamento e redescoberta de si mesmo. Se a gente parar para analisar, desde o romance da literatura clássica, até o contemporâneo, sempre teremos mensagens poderosas nas entrelinhas. Ao ler um romance, eu aprendo a conhecer um pouco mais sobre o comportamento humano, afinal, os romances são um verdadeiro retrato da vida, com seus altos e baixos, a parte feia e bonita, o feliz e o triste. Até mesmo os romances felizes e clichês, trarão uma lição, algo que agregue ao nosso conhecimento e às nossas vidas. Por exemplo, nos romances clássicos, Jane Austen fazia críticas – muito bem construídas e escondidas nas entrelinhas, com sacadas de ironia e humor – à sociedade do século XIX, porém também entregava histórias de amor como as pessoas gostariam de ler. Assim como as irmãs Brontë, na Era Vitoriana, e diversas outras autoras, que atualmente, representam empoderamento, visto que na época em que escreviam, as mulheres não tinham esse papel, usavam pseudônimos masculinos para poderem ser publicadas. “A pena sempre esteve nas mãos dos homens”, como citou a personagem Anne Elliot em “Persuasão”, romance de Jane Austen; então para mim, isso só reforça a crença de que os romances podem sim ser empoderadores e nos entregarem um pouco de cultura além de uma história bonitinha (ou realista).

E na literatura de romances contemporâneos também temos isso, em meio a histórias de amor, podemos encontrar assuntos mais profundos e polêmicos, que precisam de atenção da sociedade. Eu vejo a literatura de romances – tanto a leitura, quanto a escrita – como uma poderosa ferramenta de autoconhecimento, conhecimento, libertação e incentivação. Ler e escrever romances me traz esperanças e de alguma forma, me liberta.



Palavra & Verso - Quais são os seus escritores favoritos, bem como os autores que influenciam a sua escrita? Cite alguns livros que você indicaria para nossos leitores.

Luana Schrader - A minha escritora favorita e grande inspiração, é Jane Austen. Meu primeiro contato com a literatura inglesa clássica foi com “Orgulho e Preconceito” e foi ela que acendeu a “chama” da escrita em mim, então a sua importância é bem significativa e eu indico esse livro para todos. Quanto aos autores que influenciam a minha escrita, têm duas romancistas contemporâneas que eu me identifico muito, seja na forma de escrever, quanto nas histórias, que é a Jenny Colgan e a Beth O’Leary.

Enfim, a minha lista de escritores favoritos é extremamente extensa e os meus preferidos na minha estante tem nomes que vão desde Charlotte Brontë e Gustave Flaubert à Clarisse Lispector e Érico Veríssimo.

Deixo de dica para os fãs de romance: “Jane Eyre” de Charlotte Brontë; “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen; “O pequeno café de Copenhague” de Julie Caplin; “A adorável loja de chocolates de Paris” de Jenny Colgan”; e claro, se você gostou do meu romance “Serendipity”, fica de dica os meus outros livros.



Palavra & Verso - Você escreve de maneira intuitiva? Como é o seu processo de busca por aprimoramento?

Luana Schrader - Eu adoraria responder que sou extremamente metódica e organizada, mas não sou. Risos. Eu não sou o tipo de escritora que tem toda a história desenhada e planejada. Eu diria que a minha escrita é uma mistura interessante entre intuição, estudos e pesquisas. Normalmente começo com uma ideia inicial, mas não tenho nenhuma noção do desenrolar da história e do final. Costumo dizer que são os personagens que escrevem o que querem viver, como se tivessem vida própria. Defino como eles serão, mas o desenvolvimento da história é sempre uma surpresa, até mesmo para mim. Já me cobrei muito, mas planejar a história, fazer tabelas e ter tudo pré-definido, não funciona para mim. Eu preciso da liberdade de deixar fluir, e é assim que as minhas histórias nascem. Nesse meio tempo, enquanto crio, se vou falar de assuntos que não tenho propriedade, faço pesquisas e converso com pessoas que vivem ou viveram aquela realidade da qual quero escrever. Estou sempre lendo, procurando me atualizar, mas quando chegamos no quesito “técnica”, a minha é essa, e compreendi que cada escritor tem a sua maneira de fazer dar certo.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre o seu processo de criação, quais são os desafios diários de uma carreira literária?

Como lidar com a procrastinação, o medo de não corresponder às expectativas. Como vencer os bloqueios criativos?

Luana Schrader - Acreditar em si mesmo é a cereja do bolo. Acredito que o maior desafio que os autores precisam vencer é a autossabotagem, o achar que não é o suficiente ou que nunca está bom. É claro que sempre precisamos nos atualizar e aprimorar a escrita e as técnicas, mas se você escreveu o que adoraria ler, já é um passo significativo.

Vencer todos os desafios, sejam eles externos ou internos, é um processo. O medo de não corresponder às expectativas sempre estará lá, porém precisamos decidir se isso irá nos paralisar ou se será apenas um ônus da profissão. Nunca vai existir o “agradar a todos”, sempre terão críticas, só precisamos aprender a lidar com isso, absorver o que agrega e descartar o que não acrescenta para nós.

E sobre os bloqueios criativos, tome banho! Risos. Parece brincadeira, mas não é. Os meus bloqueios criativos são resolvidos com banho, corrida, yoga ou uma pausa para um bom filme ou livro. Pausar e fazer coisas que nos estimulem auxilia demais a espantar o bloqueio criativo. Pausas são terapêuticas e refrescar a mente pode ser inspirador.



Palavra & Verso - De onde veio a inspiração para o seu livro “Serendipity”, e como surgiu a ideia do título?

Luana Schrader - Como eu disse lá no começo, “Serendipity” era o meu pseudônimo, o nome do Instagram que deu início à essa jornada na literatura. O termo significa muito para mim, que é basicamente “Coisas boas acontecem quando não estamos esperando”, afinal, nada é por acaso, mas é quando estamos distraídos que os melhores momentos e encontros acontecem em nossas vidas. A escolha do nome foi uma homenagem ao começo da minha carreira e também foi uma forma de ressaltar a magia do inesperado.

E quanto a inspiração para a história, ela foi baseada em um quebra-cabeça de fatos reais, porém, um pouquinho mais romantizada, afinal, a ficção tem licença poética, não é?!



Palavra & Verso - Em “Serendipity”, conhecemos uma história que se passa em Paris. Fale um pouco sobre como foi criar uma história ambientada em outro país, e os desafios de escrevê-la.

Luana Schrader - Foi maravilhoso, digamos que Paris já faz parte de mim, conheço bem a cidade, mas é claro que houve diversas pesquisas para poder enriquecer a história, como quando cito períodos históricos e detalhes da arquitetura.

Foi através de Serendipity que eu percebi que amo ambientar as minhas histórias em locais que aprecio e pelos quais já passei. No livro, optei por detalhar cada cantinho com o intuito de fazer os leitores viajarem comigo – e assim permaneço fazendo –, afinal, é delicioso poder viajar, e através da leitura, todos podem se transportar por alguns instantes a uma atmosfera desconhecida.



Palavra & Verso - Na trama, os leitores são envolvidos com a história de amor de Louise e Nicolas. Como foi o processo de criação desses personagens? Fale um pouco sobre eles.

Luana Schrader - Louise é uma das minhas personagens preferidas, costumo dizer que ela é um mosaico da personalidade – e história de vida – de diversas pessoas que fazem ou fizeram parte da minha vida. Ela é forte, mas ao mesmo tempo, é doce. Com o desenrolar da trama, foi crescendo e amadurecendo, descobrindo o que queria para a sua vida. Acredito que a forma de ser de Louise, representa muitas mulheres. A construção dela aconteceu de forma espontânea e fluída, moldando a sua essência aos pouquinhos e lhe dando espaço para ser o que ela queria ser.

Já Nicolas... muitos suspiros por ele. Risos. Eu acho que ele é imperfeitamente perfeito, com uma história triste, aprendeu a fluir com a vida e aos poucos se permitiu viver sem sentir-se culpado. Ele e Louise se complementam de uma forma muito bonita, cresceram juntos e separados, se abrindo para a vida e abraçando as boas surpresas que apareceram no meio do caminho. Ambos passam a mesma mensagem de seguir em frente apesar das adversidades e simplesmente abraçar o desconhecido.



Palavra & Verso - Ainda falando sobre “Serendipity”; como você sente que foi a recepção do livro, por parte dos leitores?

Luana Schrader - Foi melhor do que eu imaginei e sonhei que pudesse ser. Antes do lançamento, os leitores acompanharam o processo através do Instagram, em que eu ia publicando os bastidores, quotes e curiosidades acerca do livro. Mas, mesmo assim, eu ainda tinha receio de não vender ou de não ser bem recebido pelo público. Fiquei extremamente grata pelo retorno positivo dos leitores, que rende bons frutos até hoje, um pouco mais de um ano depois do lançamento. Serendipity me trouxe muitos leitores novos, inclusive pessoas que se tornaram amigas, e assim como o seu nome já anunciava, veio acompanhado de boas surpresas.


Palavra & Verso - Na sua opinião, quais são os ingredientes indispensáveis para um bom livro de romance?

Luana Schrader - Para mim, em um bom romance é indispensável: Uma trama envolvente, personagens cativantes e escrita fluída. O romance que faz a gente suspirar e se colocar no lugar dos personagens, é um bom romance. Ou seja, é aquele que puxa o leitor para dentro do livro e o envolve, o fazendo sentir as sensações, sofrer e se apaixonar com/ pelos personagens, deixando memórias. É aquele livro que você não consegue parar de ler até descobrir o que vai acontecer. Digamos que um bom romance é como uma pílula mágica, que te arranca da realidade e te leva para um passeio por outro mundo através das páginas.



Palavra & Verso - Você tem muitos projetos em mente? Pode falar sobre algum deles? Fale um pouco sobre sua trajetória literária.

Luana Schrader - Eu sou uma mente inquieta, então estou sempre criando e tendo ideias, como se tudo me inspirasse (e de fato, tudo me inspira). Tenho inúmeros projetos em construção e outros tantos em planejamento, mas por enquanto, apenas posso dar um spoiler sobre o meu próximo lançamento. No segundo semestre de 2023 lançarei uma comédia romântica, que é um pouco diferente de tudo o que já publiquei até agora – apesar da essência da minha escrita permanecer a mesma. Aos poucos vamos criando a nossa “personalidade de autor” e nos permitindo arriscar um pouquinho mais, então essa evolução na escrita aparece até mesmo na criação das histórias, e é nessa fase que eu me identifico no momento.

Quanto a trajetória literária, depois de ‘Serendipity’ publiquei mais dois livros (‘Fios do Destino’ e ‘De repente, Natal’) e todos tiveram ótima aceitação por parte do público, me trazendo prêmios e reconhecimentos que enriqueceram a minha trajetória literária.

No final de 2022, lancei “De repente, Natal”, um livro de contos natalinos (com temática romântica) que ficou entre os mais vendidos na Amazon; e no começo de 2023, o meu último romance (Fios do Destino), publicado em julho de 2022, ganhou um prêmio internacional na categoria de romance. “Fios do Destino” será exposto no Salon du Livre de Genebra, na Suíça, levando a minha carreira para um novo patamar. Apesar de ainda estar no começo da carreira, estar vendo todo o meu trabalho ser reconhecido, é extremamente gratificante e estou ansiosa pelos próximos anos.



Palavra & Verso - Gostaria de deixar um recado de motivação para novos escritores continuarem a buscar por seus sonhos?

Luana Schrader - Acredite nos seus sonhos, se dedique e trabalhe para os realizar. Até o impossível é possível quando acreditamos no que queremos e acima de tudo, acreditamos em nós mesmos. Não desanime no primeiro desafio, isso faz parte da trajetória e só irá te fortalecer para chegar onde almeja. Não se compare, cada pessoa tem um percurso diferente, um propósito e uma estrada particular. Se você focar na sua trajetória, será muito mais leve. E não desista, ok? Sonhadores não desistem, e você é muito mais capaz do que imagina. Dê o primeiro passo, faça acontecer e não esqueça que assim como somos o nosso maior inimigo, podemos ser o nosso maior herói.



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